Texto: Jairo Morelli
Fotos: Divulgação
Falta pouco para o verão. Época de férias, viagens e festas. Por outro lado, ruas lotadas por conta das compras de fim de ano, estradas intransitáveis e calor insuportável. Mas nada que um bom planejamento não resolva. E se você leitor não quiser imprevistos, basta apenas se preparar. É importante ficar atento aos cuidados com o automóvel para não ficar na mão. E para te ajudar, o Carsale conversou com mecânicos, especialistas e engenheiros que deram algumas dicas para o bom desempenho de seu veículo durante esse período.
De acordo com o supervisor do laboratório de motores do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio, o calor em si não é o causador de nenhum problema específico no automóvel. Na verdade, a falta de uma manutenção adequada, aliada ao excesso de calor, é que pode contribuir para o surgimento de problemas. “O calor apenas potencializa problemas já existentes. Os mais cuidadosos dificilmente terão algum imprevisto relacionado ao calor. A influência da temperatura mais alta fica por conta apenas da oscilação de pressão nos pneus. Fora isso, mais nada.”
Apesar de minimizar os efeitos do calor, Romio frisou a importância da manutenção da qualidade e quantidade da água adequada no radiador, assim como os cuidados com freio, ventoinha e o ar-condicionado. “Verificar periodicamente estes componentes fará com que dificilmente algum imprevisto venha a acontecer.” Segundo o gerente da oficina Top Stop da Lapa, em São Paulo, José Roberto Ferreira, a falta de cuidado com a água pode gerar o empenamento das válvulas do cabeçote, o que pode acarretar em sérios problemas no motor. “Só a retífica de um cabeçote fica na casa dos R$ 600, dependendo do carro. Uma coisa boba pode gerar uma dor de cabeça sem tamanho”, afirma ele.
O gerente também fez questão de destacar a importância do fluído de freio que, caso supere o limite de aquecimento permitido, pode gerar a perda total do sistema de frenagem. A troca, segundo ele, deve ser feita a cada 10 mil quilômetros rodados ou anualmente e fica em torno de apenas R$ 55,00. Nada que afete muito no bolso do consumidor. Na esteira de Ferreira, o proprietário da oficina RPC comércio, recuperação de peças e auto center, Raphael Schurt, também salientou a necessidade de atenção nestes quesitos. “Na água, por exemplo, que aos poucos pode ir oxidando, pode ser colocado um aditivo para melhorar a qualidade. É tudo muito simples, não tem nada de muito diferente a ser feito.”
O ar-condicionado também é outro equipamento que merece atenção especial.“A troca do filtro anti-pólem, além da higienização, deve ser feita anualmente para o bom funcionamento”, afirma Laura Monteiro, gerente da Porto Ar-condicionado. Além disso, segundo ela, existem alguns procedimentos que podem melhorar a qualidade e desempenho do equipamento. “O ideal é ligar o ar-condicionado pelo menos uma vez por semana, por cerca de dez minutos, para manter os componentes de borracha como juntas, mangueiras e anéis, que são cerca de 30% do total, sempre lubrificados. É bom também depois do uso prolongado acionar o ar-quente por alguns minutos para que o excesso de água depositado na caixa de ar seja eliminado, evitando o acúmulo de fungos.”
O excesso de calor, segundo a gerente, pode provocar um ressecamento na válvula do ar-quente, que é responsável pelo controle de água utilizado. Com o ressecamento, a válvula pode quebrar, causando um aumento do calor interno, até mesmo com o ar-desligado, além de problemas no motor. “A água utilizada pelo ar-quente é a mesma do motor. A quebra desta válvula pode fazer, em situação limite, com que o motor venha a fundir”, explica. Para um bom funcionamento do equipamento, de acordo com Laura, basta desembolsar anualmente R$ 90,00 para a troca do filtro antipólen e higienização.
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