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Pneus reformados: Valem a pena ou não?

Texto: Rafaela Borges
Fotos: Divulgação

Os pneus chamados "remold" que eram utilizados principalmente em veículos comerciais, estão se transformando em uma opção econômica para quem tem carros de passeio, já que custam, em média, 50% menos do que os novos. Remold, ou remoldado, é o termo usado pela portaria INMETRO 133 para pneus reindustrializados a partir de carcaças, a maioria delas importadas. Segundo a ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumático), os "remold" tiveram 10% de participação no mercado de veículos de passeio em 2003, fatia que representa cerca de 12,5 milhões de unidades comercializadas.

Há alguns anos, os principais consumidores de remoldados eram donos de carros que já estavam fazendo a terceira troca de pneus. "Hoje, já existem casos em que esse tipo de pneu é escolhido na primeira troca (que acontece com cerca de 50 mil quilômetros)", informa Ozil Coelho Neto, diretor comercial da BS Colway, uma das empresas pioneiras na fabricação de "remold". Além do preço convidativo, o crescimento dos pneus reformados no mercado deve-se às tecnologias avançadas que estão sendo incorporadas por algumas empresas na fabricação dos "remold". Mas, segundo os fabricantes de pneus novos, o consumidor nem sempre terá a mesma segurança e desempenho quando optar pela utilização de um remoldado.

Consultamos duas das principais fabricantes de pneus "remold" para saber quais são as técnicas empregadas na fabricação destes produtos. De acordo com a BS Colway, o pneu usado é raspado de talão a talão até chegar a carcaça original. A partir deste ponto, o processo é o mesmo que o utilizado na produção de um produto novo. A Pneuback, outra fabricante de remoldados, explica que utiliza o Camel Back, produzido pela Pirelli, na concepção de seus produtos. Este material é uma manta de borracha resistente que, segundo a empresa, favorece o balanceamento do pneu.

Os dois fabricantes de remoldados afirmam que os "remold" apresentam melhor acabamento que os pneus recauchutados. "São produtos totalmente diferentes", afirma Coelho, da BS Colway. Idaci Mendes, do departamento de marketing da Pneuback, explica esta diferença: "Os recauchutados recebem apenas uma camada de borracha sobre a banda de rodagem, cuja fixação é feita por meio de colagem física. Eles utilizam matrizes de duas ou três partes, enquanto nossos pneus utilizam matrizes de seis partes". A idade das carcaças é outro ponto importante na concepção dos pneus remold. Segundo a Pneuback, a empresa não tem como precisar estes dados.

"O fator mais importante na escolha de uma estrutura é seu estado de conservação, e não seu tempo de vida", diz Idaci Mendes. Entretanto, o INMETRO exige que as carcaças utilizadas na reforma de pneus tenham idade máxima de 7 anos. "Toda a nossa linha tem entre 3 e 4 anos de uso", afirma Coelho Neto. Consultamos alguns fabricantes de pneus novos para saber a opinião deles sobre este e outros aspectos.

Para José Carlos Quadrelli, da engenharia de vendas da Bridgestone, se o pneu "remold" foi muito solicitado em sua vida original, ele não oferecerá ao veículo um bom nível de segurança e terá um desempenho fraco. Outro ponto importante que os fabricantes de pneus novos destacam é a variedade de estruturas utilizadas na concepção do "remold", pois as carcaças são fabricadas por empresas diferentes. "Este fator também enfraquece o desempenho e o balanceamento do pneu, que dependem da total interação de seus componentes", diz Renato Silva, gerente de marketing produto da Michelin América do Sul.

A BS Colway admite que seus pneus perdem mesmo o desempenho em relação aos novos. "Se a carcaça foi concebida para um pneu dimensionado para rodar a 220 km/h, nós reduzimos este índice para 190 km/h", diz Coelho Neto. Ele afirma que a redução do desempenho faz parte da rigorosa política de segurança da empresa. A Pneuback também garante que o consumidor de seus pneus estará tão seguro quanto um usuário de produtos novos. "Trabalhamos com estruturas importadas, inspecionadas e que passam por um controle de qualidade em nossa fábrica", diz Idaci Mendes.

Outro ponto importante mencionado por Bridgestone, Michelin e Pirelli é que os pneus de carros de passeio, diferente dos de veículos comerciais, são concebidos para rodarem apenas uma vida com segurança. "Sua estrutura interna não é preparada para ser reformada e conseqüentemente reutilizada. Este procedimento pode comprometer a estrutura da carcaça", afirma Renato Silva. A Pirelli fabrica pneus de veículos comerciais prevendo sua reconstrução. "Mas os de menor porte, com exceção de alguns pneus de camionetes, são produzidos para rodar apenas uma vida", diz Inácio Caltabiano, gerente de marketing da Pirelli.

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