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O "chip" da questão

Texto: Marcelo Goto
Fotos: Reprodução

A dúvida mais freqüente recebida na redação da Revista Carsale é a respeito da instalação de "chip" para aumentar o rendimento do motor. Para sanar as dúvidas sobre o assunto, decidimos publicar uma matéria sobre essa questão. Mas antes de mais nada, lembramos que esse tipo de serviço pode implicar na perda de garantia do carro e não chega a ter resultados empolgantes, além de contribuir com ligeiro aumento do consumo de combustível.

Segundo especialistas em sistemas de injeção eletrônica, o aumento da potência chega a 10%, o que é suficiente apenas para deixar o carro um pouco mais ágil. O trabalho é feito a partir da memória do "chip", onde estão armazenadas informações como tempo de injeção de combustível, taxa de compressão, entre outros parâmetros. Estes dados se somam a outros colhidos por vários sensores espalhados pelo carro, como temperatura ambiente, pressão do ar e quantidade de oxigênio contida no gás de escape.

Com o cruzamento dessas informações, o "chip" determina como o carro deve funcionar, controlando, por meio de sinais eletrônicos, o ponto ideal de ignição e a dosagem da mistura ar-combustível mais adequada a ser queimada na câmara de combustão. Quando o motor sai da montadora, o "chip" original já vem com uma programação padrão obtida após diversos testes de desempenho nas mais variadas condições ambientais e de combustível.

Para se chegar a esses parâmetros gravados os "chips", os engenheiros levam em conta aspectos fundamentais como menor consumo, maior durabilidade do motor e taxa de emissão de poluentes menor. Portanto, sob a programação original de fábrica, nem sempre o motor está dimensionado para atingir o todo o potencial que ele pode proporcionar.

Segundo o engenheiro mecânico Vinícius Losacco, especialista em preparação de motores, a troca do "chip" original por outro reprogramado custa R$ 450, em média, dependendo da complexidade do serviço, e leva dois dias para ficar pronto, nos casos mais simples. Com o aumento da potência, o carro passa a consumir mais, podendo chegar a 10% além da média normal. O trabalho exige programas de computador específicos e mão de obra qualificada para se chegar a resultados satisfatórios. Losacco é especialista em modelos importados e trabalha com peças homologadas.

Além de não exigir a abertura do motor, outra vantagem da substituição dos chips é que o processo é reversível, ou seja, caso o proprietário do carro queira que seu carro volte ao perfil original, basta recolocar o "chip" da montadora. Por isso, recomenda-se guardar a peça original, mesmo porque a reprogramação do circuito eletrônico que vem de fábrica não é recomendada por alguns especialistas. Na opinião do gerente de Desenvolvimento e Aplicação de Produtos da Bosch, Sidney Barbosa Jr., é praticamente impossível fazer a manipulação de um "chip" de forma correta. Segundo Barbosa Jr, é muito complicado saber quais parâmetros devem ser alterados para que o carro ganhe potência.

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