Texto: Diogo de Oliveira - Carsale
Fotos:Diogo de Oliveira e Marcelo Goto

Desde 2007, o mercado automobilístico brasileiro anda bem agitado. Muitos lançamentos chegaram às ruas e, com o aumento do número de opções, alguns dos modelos novos criaram subnichos antes inexistentes. Um deles é o dos sedãs compactos premium. É verdade que o segmento mais seleto dos compactos existe desde o fim de 2002, com a estréia do 'precursor' Volkswagen Polo Sedan. Só que, até o ano passado, o modelo da marca alemã era praticamente o único a oferecer 'algo mais' que os rivais do porte. E com o crescimento das vendas no País, Fiat e Honda miraram o nicho dos sedãs pequenos mais refinados. Assim, surgiram Linea e City.
Atualmente, os três modelos brigam entre si. Tanto Linea, quanto City e Polo Sedan têm preços emparelhados, próximos dos R$ 60 mil - quando equipados com conteúdos de série equivalentes. Por esse valor, todos ficam 'colados' nos sedãs médios, vendidos a partir de R$ 60 mil. Então, por que comprar um compacto com preço de carro médio? A resposta está nos detalhes. O espaço interno, por exemplo, é menor nos chamados compactos premium. Por outro lado, as listas de equipamentos de fábrica são superiores às dos sedãs maiores nas versões de entrada.
Já os motores são menores, com exceção do Fiat Linea, que é empurrado por um bloco 1.9 litro Flex de 127 cv. E por serem menos potentes que os propulsores dos modelos médios, Honda City e Volks Polo são mais econômicos e poluem menos o meio ambiente. Quer dizer, existem vantagens e desvantagens. Na hora da compra, é preciso avaliar com calma as características de cada modelo. Embora os três sejam adversários diretos, há boas diferenças entre cada um deles. E foi justamente dessas particularidades que surgiu a ideia deste confronto. O Carsale avaliou as versões intermediárias, que são as mais vendidas. Confira abaixo quem leva a melhor!
Clique nas imagens para ampliá-las
ESTILO
Os brasileiros, em geral, sempre levam em consideração a beleza e o estilo das linhas dos veículos. Diversas pesquisas encomendadas pelas próprias montadoras já deixaram claro que o visual é elemento determinante para o sucesso de um modelo. No caso dos três sedãs, o Polo é o veterano. Lançado em dezembro de 2002, o três volumes da Volkswagen primeiro ousou ao exibir o desenho frontal com faróis em duplo oval, estilo que remetia aos modelos da Mercedes-Benz, em especial o sedã grande de luxo Classe E. Pouco mais de quatro anos depois, em 2007, a montadora atualizou a estética do Polo, que ganhou a identidade visual da época.
Mas apesar de o desenho renovado do Polo Sedan ter menos de três anos, o compacto homônimo europeu ganhou nova geração no início do ano, no Salão de Genebra, na Suíça. Com isso, o visual do Polo nacional envelheceu ainda mais, mesmo mantendo a elegância. Vantagem, então, para Linea e City. Enquanto o modelo da marca italiana chegou ao mercado brasileiro no fim de 2008, os três volumes compacto da montadora nipônica estreou há apenas poucos meses. Em ambos, o visual está atualizado com o dos similares produzidos e comercializados no exterior.
No City, as linhas são afiadas, como manda o figurino da Honda. O design frontal lembra o do sedã médio Civic, com faróis afilados que sobem em diagonal e formam um conjunto único com a grade formada por três barras proeminentes. Já a traseira tem lanternas bastante recortadas. No conjunto, o City apela mais para uma esportividade, diferentemente do Linea. O sedã da Fiat tem visual mais sóbrio, que busca transmitir refino. Há elementos cromados nos quatro cantos. Os faróis e as lanternas têm traços mais abaulados e encorpados.
Visualmente, o Linea é o que ostenta uma aparência externa mais próxima dos modelos médios. Até por conta do comprimento maior. São 4,56 metros, 16 centímetros a mais que o sedã da Honda e 36 cm a mais que o Volkswagen. Por dentro, o Linea também aparenta superioridade diante dos rivais. As peças, mesmo as de plástico rígido, transmitem maior sensação de qualidade e apresentam encaixes precisos. Dos três modelos, o City, na versão intermediária Ex 1.5 flex, é o que menos impressiona os olhos e o tato. Apesar da igual predominância de plástico, o Polo tem texturas mais agradáveis, couro nas portas e detalhes metalizados no painel.
Clique nas imagens para ampliá-las
Clique nas imagens para ampliá-las
DESEMPENHO
Na parte mecânica, os três sedãs compactos premium avaliados ofereciam motorizações distintas em capacidade volumétrica, todas bicombustíveis e acopladas a câmbios manuais de cinco marchas nas versões avaliadas. O mais potente é o Fiat Linea. O modelo fabricado em Betim, Minas Gerais, é equipado com o motor 1.9 litros de quatro cilindros em linha e 16 válvulas. O bloco produz 127 cv de potência com gasolina e álcool aos 5.700 rpm, além de um torque de 18,1/18,6 kgfm (G/A), soltos aos 4.500 giros.
Embora menor em litragem, o segundo motor mais forte - e também o mais moderno - é o do Honda City. O propulsor de quatro cilindros e dotado de comando variável de válvulas i-VTEC gera 115 cv (G) e 116 cv (G) aos 6 mil rpm e um torque de 14,8 kgfm despejados aos 4.800 giros com ambos os combustíveis. O mais 'fraco' dos três é o motor do Polo Sedan, pelo menos no rendimento bruto. O bloco entrega 101 cv (G) e 103 cv (A) de potência a 5.500 rpm. Mas o torque de 15,6 kgfm (G/A), em compensação, é o melhor em baixos giros: fica livre por inteiro logo aos 2.500 rpm.
Clique nas imagens para ampliá-las
No desempenho de aceleração e retomadas, Linea, City e Polo Sedan mostraram equilíbrio nas pistas. Nas arrancadas de zero a 60 km/h, Linea e Polo empataram com 4,9 segundos e diferença de centésimos, abastecidos com gasolina. Com álcool, o sedã da VW foi um segundo mais ligeiro (4,8 s). O City também levou 4,9 segundos para ir da inércia aos 60 km/h com álcool, mas o desempenho com o combustível fóssil foi inferior: 5,3 segundos. Já nas arrancadas de zero a 100 km/h, venceu o menor motor. O Honda City precisou de 11,3 segundos quando alimentado com álcool, enquanto Linea e Polo cravaram 11,8 e 11,9, respectivamente, de acordo com medições feitas pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).
Já nas retomadas, o motor 1.6 litro do Polo Sedan superou bem os rivais, beneficiado principalmente pelo bom torque em baixos giros. Foram necessários exatos oito segundos com álcool para recuperar a velocidade dos 40 km/h aos 80 km/h em 3ª marcha. O Linea levou 8,6 segundos e o City, 8,8 segundos. Dos 60 km/h aos 100 km/h em quarta marcha, houve empate técnico entre os exemplares de Fiat e VW: 11,8 segundos. Mais lento, o Honda precisou de um segundo a mais que os concorrentes (12,8 s). Em compensação, City e Polo Sedan oferecem câmbios mais preciso e bem escalonados. No Linea, a caixa tem engates imprecisos, apesar do curso mais curto, que transmite sensação de esportividade com o volante de boa pega.
MERCADO
Acima dos motores, do desempenho ou mesmo do aspecto visual, estão questões subjetivas que por vezes determinam o volume de emplacamentos de um modelo. O Honda City, por exemplo, prova a cada mês que até mesmo o preço pode não interferir diretamente nos resultados. O modelo da marca japonesa, lançado no fim de julho, já somou até outubro 9.665 unidades, com média de 3.221 vendas mensais. O volume é quase três vezes superior aos obtidos por Polo Sedan e Linea. O três volumes da Volks tem 13.821 emplacamentos no ano, com média de 1.382 carros/mês entregues. E o sedã da Fiat somou até aqui 11.639 unidades, com 1.164 unidades a cada 30 dias.
Curiosamente, o Honda City é o mais caro dos três sedãs premium nacionais. O modelo parte de R$ 62.216 na versão intermediária EX 1.5 i-VTEC Flex, sem opcionais. Mas é também o mais completo de fábrica. Vem instalados ar-condicionado digital, direção elétrica, trio, rádio/CD com leitor de MP3 e entradas USB e auxiliar, rodas de liga leve aro 16, volante multifuncional revestido em couro, controle de cruzeiro, computador de bordo e luzes de direção embutidas nos espelhos laterais. Entre os itens de segurança, há duplo airbag frontal e freios a disco nas quatro rodas com ABS e distribuidor eletrônico EBD.
O Linea é quase equivalente ao City em equipamentos, só que o preço inicial é substancialmente inferior. O modelo da Fiat parte de R$ 57.760 na versão intermediária HLX 1.9 Flex e traz basicamente direção hidráulica, ar saída de ventilação para o banco traseiro, trio, computador de bordo, rádio/CD com MP3, chave do tipo canivete e duplo airbag frontal. Na versão avaliada, estavam instalados bancos com revestimento parcial em couro, sensores de chuva e de luminosidade, sistema Blue&Me com rádio/CD/MP3, conexão Bluetooth, entrada USB e viva-voz, além do Kit Essence, que adiciona rodas de liga aro 16, ar digital e sensor de obstáculos traseiro.
Com todos os equipamentos, o preço do Fiat Linea HLX 1.9 Flex Essence sobe para R$ 64.922 e supera o City tanto em valor quanto no conteúdo. O mais em conta mesmo do nicho é o Volkswagen Polo Sedan, na versão intermediária Comfortline 1.6 Flex. O modelo é vendido a partir de R$ 49.441, porém com bem menos equipamentos. Há basicamente ar digital Climatronic, direção hidráulica, trio elétrico e rádio/CD com MP3, conexão Bluetooth e entradas USB e SD Card. Para ter bancos revestidos em couro, freios com ABS e EBD, além de duplo airbag frontal, é preciso pagar adicionais R$ 5.103.
O modelo pode ainda receber piloto automático e o 'módulo' tecnológico, que inclui retrovisor interno eletrocrômico e sensores de chuva e de luminosidade. Completo, com pintura metálica, o Polo Sedan Comfortline sobe para R$ 57.293, quando equipado com o motor 1.6 litro flex. Os três modelos oferecem ainda ajustes completos para bancos e volante, com regulagem de altura e profundidade, além de comandos internos de abertura da tampa do porta-malas e do tanque de combustível.
Clique nas imagens para ampliá-las
VEREDICTO CARSALE
Neste comparativo, o Fiat Linea sagrou-se vencedor por oferecer um conjunto mais honesto diante da faixa de preços próxima dos sedãs médios. Além do acabamento visivelmente superior ao dos rivais Honda City e Volkswagen Polo, o três volumes da marca italiana oferece maior conforto, com espaço interno mais amplo para pernas na frente e atrás e uma lista de série interessante. O City, apesar de ser o mais recente dos três modelos, oferecer um conjunto mecânico mais moderno e a lista de série mais farta, é também o mais caro. O modelo custa R$ 62.216, valor elevado para o padrão de acabamento e o motor compacto.
Dos três sedãs avaliados, o que oferece melhor custo/benefício é o Volkswagen Polo Sedan. O preço parte de 49.441, mas a lista de série é bem mais enxuta que a dos adversários. Não há, por exemplo, sequer airbags frontais. Quando instalado um conteúdo equivalente, o valor do Polo Sedan pula para R$ 57.293, valor máximo da versão equipada com o motor 1.6 litro. Só que o modelo da marca alemã é o mais antigo. E por esse valor, se iguala praticamente em preço com o Fiat Linea, porém sem oferecer o mesmo padrão de acabamento, além de o espaço interno ser inferior.
| Ficha técnica | Fiat Linea HLX Essence 1.9 16V Flex | Honda City EX 1.5 16V i-VTEC | Volkswagen Polo Sedan Comfortline 1.6 Flex |
|---|---|---|---|
| Motor | Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, comando duplo no cabeçote, flexível | Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, comando variável de válvulas i-VTEC, flexível | Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, oito válvulas, comando simples no cabeçote, flexível |
| Cilindrada (cm³) | 1.838 | 1.496 | 1.598 |
| Potencia (cv) | 127 (G/A) a 5.750 rpm | 116 (G) e 115 (A) a 6 mil rpm | 101 (G) e 103 (A) a 5.500 rpm |
| Torque (kgfm) | 18,1 (G) e 18,6 (A) a 4.500 rpm | 14,8 (G/A) a 4.800 rpm | 15,6 (G/A) a 2.500 rpm |
| Câmbio | Manual de cinco marchas | ||
| Comprimento (m) | 4,56 | 4,40 | 4,20 |
| Largura (m) | 1,73 | 1,69 | 1,65 |
| Altura (m) | 1,50 | 1,48 | 1,50 |
| Entre-eixo (m) | 2,60 | 2,55 | 2,46 |
| Porta-mala (l) | 500 | 506 | 432 |
| Suspenção | Independente do tipo McPherson, com mola helicoidal integrada e barra estabilizadora independente, na dianteira, e independente, com braços longitudinais, amortecedores telescópicos e molas helicoidais, na traseira | Tipo McPherson, triângulos inferiores, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos integrados, na dianteira, e rodas semi-independentes, amortecedores hidráulicos verticais com barra estabilizadora, na traseira | Independente, do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos, na dianteira, e eixo de torção, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos, na traseira |
| Freios | Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos, com ABS e distribuidor eletrônico de frenagem EBD | Dianteiros e traseiros a discos sólidos, com ABS e distribuidor eletrônico de frenagem EBD | Dianteiros a discos sólidos e traseiros a tambor. ABS e distribuidor eletrônico de frenagem EBD opcionais |
| Tanque (l) | 60 | 42 | 45 |
Copyright Classificados Porto Seguro - Todos os direitos reservados