Texto: Diogo de Oliveira - Carsale
Fotos:Divulgação

A partir da primeira semana de outubro, chega às concessionárias da Mitsubishi no Brasil um Pajero TR4 amplamente renovado. A linha 2010 do jipinho trilheiro recebeu alterações estéticas na carroceria, no painel, além de aprimoramentos no motor 2.0 litros flex, de quatro cilindros em linha e 16 válvulas. Esta é a segunda reestilização do SUV compacto desde 2002, ano em que começou a ser produzido na cidade de Catalão, no interior de Goiás. A última atualização visual já tinha mais de três anos – foi feita em meados de 2006, quando o modelo adotou desenho inspirado no Pajero maior – o Sport.
A mudança, porém, é mais que uma simples atualização. Nos últimos três anos, as vendas entre os utilitários esportivos avançaram significativamente, com mais de 50% de crescimento nos emplacamentos. Com isso, cresceu também o número de concorrentes e novidades no segmento. Chegaram os coreanos Kia Sportage e o crossover Kia Soul, além do pequenino jipe Suzuki Jimny. O líder Ford EcoSport ganhou novo desenho e motor 2.0 flex. E o também coreano Hyundai Tucson, o segundo mais vendido do nicho, ganha produção nacional em outubro. Ou seja, uma renovação era mais do que necessária para o Pajero TR4 se manter forte no mercado.
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Reforço no desempenho
O motor 2.0 litros 16V flex também recebeu aprimoramentos na engenharia para oferecer maior eficiência, sobretudo com o uso do álcool. A MMC redesenhou os pistões e, com isso, elevou a taxa de compressão do propulsor de 9,5:1 para 11,0:1, adequando-o melhor ao uso do combustível vegetal. Com isso, o rendimento cresceu. A unidade de força, agora identificada pela sigla HRC, de High Compression Ratio ou alta taxa de compressão, produz 135 cv com gasolina e 140 cv com álcool sempre aos 5.500 rpm, contra os 131/133 cv anteriores. O torque máximo, por sua vez, passa a ser de 20 kgfm aos 2.250 rpm com o combustível fóssil e de 22 kgfm aos 4.500 giros com o combustível vegetal, pouco mais que os 18/19 kgfm anteriores.
Ainda na parte mecânica, tanto o câmbio manual de cinco marchas quanto a caixa automática de quatro marchas tiveram componentes modificados para oferecer maior durabilidade. Já o sistema de tração Super Select 4WD-I não recebeu alterações, mas permanece como referência em desempenho "off-road" entre os utilitários compactos. O recurso disponibiliza quatro modos: 4X2 com tração traseira para uso na cidade, 4X4 contínuo, 4X4 com bloqueio do diferencial central para trafegar por estradas de terra e areia e o 4X4 com reduzida, específico para situações fora-de-estrada mais severas, quando o veículo requer o máximo de torque do motor. São 20 combinações possíveis com o câmbio manual e 16 com a transmissão automática. O sistema permite ainda selecionar os modos com o veículo em movimento, a velocidades de até 100 km/h – exceção da tração 4X4 reduzida.
Um dos únicos utilitários esportivos compactos do mercado brasileiro a oferecer uma real capacidade fora-de-estrada, o Pajero TR4 conta ainda com uma engenharia sofisticada. O conjunto de suspensão tem estrutura dianteira clássica, do tipo McPherson, enquanto a traseira é multilink, com braços múltiplos sobrepostos. Há barras estabilizadoras nos dois eixos. Já a estrutura em monobloco traz um subchassi integrado, onde ficam instalados motor, caixa de câmbio e suspensão dianteira. De acordo com a MMC, a estrutura adicional reduz o peso e eleva a rigidez torcional da plataforma. O modelo oferece ainda ângulos de entrada e saída de 35°, além de 21,5 centímetros de vão livre em relação ao solo, que capacitam o jipinho a transpor rampas íngremes.
A maioria dos utilitários esportivos compactos atuais rodam mais nas cidades do que na lama. Justamente por isso, os itens de série são cada vez mais valorizados nesses veículos. A linha 2010 do Pajero TR4 reúne boa oferta de equipamentos, embora ainda faltem itens disponíveis em rivais, como volante multifunção e ar-condicionado digital. O pacote de série da versão de entrada GLS traz os "básicos" ar-condicionado manual, direção hidráulica e trio elétrico, mais rodas de liga leve aro 17 calçadas por pneus de uso misto 225/65, barras longitudinais no teto e chave Keyless com alarme periférico. O sistema de som possui rádio/CD com leitor de MP3 e as novas entradas USB e para iPods, além da conexão Bluetooth. Já nas versões intermediária manual e na topo de linha automática, são oferecidos airbags frontais de série e freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD. Estas devem responder por 80% do mix de vendas, com 40% para cada e os 20% restantes da básica GLS. Os preços são de R$ 65.550, R$ 68.990 e R$ 71.990, respectivamente.
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Fator novidade a seu favor
Naturalmente, a reestilização colocará o Pajero TR4 em evidência. Uma exposição que a MMC espera ajudar a "aquecer" as vendas do seu SUV pequeno. A subsidiária da marca japonesa espera comercializar uma média de 1 mil unidades mensais do TR4 renovado, volume 33% superior às cerca de 750 unidades/mês emplacadas em 2009. Um crescimento tímido diante das 3.500 unidades/mês emplacadas pelo líder EcoSport e das 2 mil vendas mensais do Hyundai Tucson. Por outro lado, entre os modelos do nicho, o TR4 é praticamente o único o oferecer uma capacidade fora-de-estrada real. E essa "aura lameira", associada às novidades estéticas, mecânicas e de conforto, pode fazer a diferença a favor do jipinho goiano.
Primeiras Impressões
Em um test-drive curto, de aproximadamente 50 km/h, foi possível avaliar dois lados interessantes do renovado Pajero TR4. Na pista de terra bastante enlameada, o jipinho comprovou sua vocação aventureira ao exibir um desempenho fora-de-estrada primoroso. No trajeto, repleto de poças de lama e piso de barro escorregadio, o utilitário compacto transmitiu segurança, com boa aderência garantida pelo modo 4X4 com bloqueio do diferencial central – que mantém a tração fixa, com 50% do torque despejado em cada eixo. Ao mesmo tempo, o conjunto de suspensão se mostrou afinado e manteve o veículo equilibrado diante de um terreno bem acidentado.
Já sobre o asfalto, em um pequeno trecho da rodovia Castelo Branco, no interior de São Paulo, o Pajero TR4 evidenciou um lado urbano aprimorado. As mudanças feitas no interior, que ganhou novos painel, volante e revestimentos dos bancos e portas, deixaram o ambiente no habitáculo mais agradável e moderninho. O sistema de som com rádio/CD e MP3 conta agora com entradas auxiliar e USB – esta “escondida” no porta-luvas. O destaque maior fica com o painel completamente redesenhado, que perdeu o ar antigo de carro dos anos 90. O console central é contornado por um filete prateado e o novo quadro de instrumentos agrada visualmente, com leitura limpa. A disposição dos comandos também é correta.
Já o motor 2.0 litros de quatro cilindros em linha e 16 válvulas ganhou alguns cavalos, mas não o suficiente para esbanjar esportividade. Na terra, com o modo 4X4 com bloqueio do diferencial central acionado, o propulsor até produz acelerações agradáveis e eficientes. Mas sobre o asfalto, no modo 4X4 contínuo, a unidade de força demora a encher até disponibilizar o torque de 22 kgfm com álcool, aos 4.500 giros. Com isso, arrancadas e retomadas são morosas.
O modelo avaliado estava equipado com o câmbio automático de quatro marchas, que também não impressionou. Por vezes a caixa produziu trancos e esticou demasiadamente as relações. No entanto, a transmissão conta com a função overdrive, que favorece o conforto. Aos 120 km/h, o motor do TR4 trabalha em 3.200 rotações e tem baixo nível de ruído. É um aspecto mais voltado ao uso urbano e rodoviário, que deve mesmo ser o principal habitat do jipinho da Mitsubishi. Ainda que o modelo suporte aventuras mais radicais.
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(O repórter Diogo de Oliveira viajou a Itu (SP), a convite da MMC do Brasil)
| Ficha técnica | Misubishi Pajero TR4 Flex 2.0 Automático |
|---|---|
| Motor | dianteiro, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, injeção eletrônica multiponto seqüencial e acelerador eletrônico, a gasolina e álcool |
| Cilindrada (cm³) | 1999 |
| Potencia (cv) | 135 cv com gasolina e 140 cv com álcool a 5.500 rpm |
| Torque (kgfm) | 20 kgfm com gasolina a 2.250 rpm e 22 kgfm com álcool a 4.500 rpm |
| Câmbio | Automático de quatro velocidades com overdrive |
| Comprimento (m) | 40,6 |
| Largura (m) | 1,68 |
| Altura (m) | 1,71/1,77 (com o rack no teto) |
| Entre-eixo (m) | 2,45 |
| Porta-mala (l) | 500/1.455 com o banco traseiro rebatido |
| Peso (kg) | 1.770 |
| Suspenção | Independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora na dianteira, Multilink, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora na traseira. |
| Freios | A disco ventilado na dianteira e a discos sólidos na traseira, com ABS e EBD |
| Tanque (l) | 72 |
| Preço (R$) | 71.990 |
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