Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Lafstudio
Roda, roda, vira. O tom da dança folclórica portuguesa ganha vida no VW Eos: o cupê lusitano ‘vira’ conversível em apenas 25 segundos, graças ao trabalho de motores elétricos e oito cilindros hidráulicos, instalados na traseira, que recolhem a estrutura da capota de aço para o interior do porta-malas. Produzido na fábrica do grupo Volkswagen, em Portugal, desde 2006, o Eos é exportado para mais de 50 países e finalmente chega ao Brasil, por R$ 159.900.
Assim como os novatos Tiguan e Passat CC, o Eos incorpora a lista de carros de luxo da Volkswagen. E como a maioria dos conversíveis, será um carro para poucos gostos. E bolsos também. O Eos chega às concessionárias ‘premium’ da Volkswagen em uma única versão de acabamento e motorização. Sob o capô, o ‘mutante’ traz o eficiente motor Audi 2.0 Turbo TSI (injeção direta de gasolina), acoplado ao câmbio DGS, de dupla embreagem. Acompanhe nossa primeira experiência a bordo do modelo.
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ESTILO
É com a capota aberta que o VW Eos encontra sua melhor forma física. As linhas da carroceria deslizam suavemente pelas laterais e deixam a traseira charmosa, diferentemente do que acontece quando o teto está fechado. Em forma de cupê, o design da traseira fica artificial demais aos olhos, já que a tampa do porta-malas é ampla para abrigar a capota. A capacidade do porta-malas é de 380 litros na versão cupê e 205 l na conversível. Há também um sistema interessante de proteção às bagagens, que se adapta automaticamente à posição da capota, por meio de sensores.
Rodas de liga-leve de 17 polegadas, farois bixênon direcionais e luzes em LED nas lanternas traseiras e nos indicadores de direção (nos retrovisores) dão pose de luxo ao Eos. O brake-light é incorporado à tampa do porta-malas e o desenho das lanternas segue a receita de Passat CC e Tiguan. Para o visual externo da carroceria, apenas a pintura sólida faz parte do pacote, nas cores vermelho Salsa, preto Ninja e branco Cristal. A pintura externa metálica custa R$ 1.310 e inclui duas opções de azul (Shadow e Mar de Gelo), castanho escuro, cinza e prata. Quem optar pela cor preta (Mystic) perolizada paga R$ 1.865.
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Quase sempre à mostra, o ambiente interno merece atenção especial. São oferecidas três cores (preto, cinza e bege), predominantes nos bancos, portas, console central e parte inferior do painel. O acabamento não peca. Os assentos têm revestimento em couro para os quatro passageiros, mas só quem viaja na frente pode ajustar a altura, manualmente. Já o ajuste lombar é elétrico para os dois bancos dianteiros. O ar-condicionado digital é dual-zone (duas regulagens diferentes de temperatura, para motorista e passageiro) e mostra sua eficiência mesmo com a capota aberta, graças aos sensores que reconhecem a posição do teto e dosam o ar dentro da cabine. O sistema de som, também desenvolvido especialmente para o uso ao ar livre, conta com espaço para seis CDs, leitura para MP3, entrada auxiliar para iPod (que fica no apoio de braço central), além de oito alto-falantes.
Outros equipamentos tornam a vida a bordo agradável. O Eos traz, de série, bancos dianteiros esportivos, computador de bordo, volante multifuncional, tomada 12 volts, vidros elétricos, travamento central com controle remoto (incluindo porta-malas), para-sol com espelho para motorista e passageiro e sensor de chuva. A lista segue com piloto automático, coluna de direção ajustável em altura e profundidade, além de retrovisores com controle elétrico, rebatíveis, com antiofuscamento automático (somente no lado esquerdo) e rebaixamento do espelho do lado do passageiro ao engatar a marcha ré.
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DESEMPENHO
Conversível ou cupê? O sol radiante, quase soberano no dia do test-drive da imprensa, não nos deu alternativa e a opção pela capota aberta foi irresistível. A escolha pelo ar livre, porém, não pode ser feita com o carro em movimento. Se no meio do caminho o tempo mudar, é preciso ficar atento ao primeiro posto de parada. O acionamento do sistema é feito por um botão elétrico, que fica entre os bancos dianteiros. Basta pressioná-lo por 25 segundos, tempo necessário para que a unidade eletroidráulica recolha a capota. Sensores de estacionamento traseiros ajudam o motorista: a capota tem uma área de proteção de 50 centímetros e, caso seja identificado algum obstáculo, o movimento de abertura ou fechamento é interrompido.
Percorremos um trecho de estrada sem paradas, por isso nosso passeio foi totalmente ensolarado - com a capota fechada, a boa iluminação também é garantida, já que o Eos é equipado com teto solar de vidro, corrediço e com persiana de proteção. E para viver a cena dos cabelos ao vento, só mesmo abaixando os vidros e os dois defletores de ar, que protegem muito bem os ocupantes. Sem eles, a diferença da passagem de ar é impressionante. O primeiro defletor é fixado ao para-brisa, enquanto o outro fica atrás dos encostos de cabeça dianteiros e pode ser instalado manualmente quando os bancos traseiros estiverem desocupados.
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Na estrada, o motor 2.0 TSI Turbo, de 200 cavalos, que equipa o recém-chegado Tiguan e o Audi A3 Sportback, faz jus à boa fama. Surpreende, principalmente, pela disposição em baixas rotações, resultado do torque de 28,5 kgfm disponível a partir dos 1.700 giros. Segundo a Volkswagen, o Eos, que pesa 1.560 quilos, acelera de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos.
O câmbio automatizado de seis marchas, com sistema de dupla embreagem, que também equipa o Passat CC, é um convite à boa dirigibilidade. A tecnologia permite que duas marchas fiquem sempre engatadas, ou seja, a tração é contínua e o condutor não sente qualquer vestígio das trocas. Há opções de trocas manuais e a ‘S’ (Sport), que põe pimenta no giro do motor. Testar a saída esportiva ao passar pelo pedágio, porém, não foi a melhor alternativa: ao pisar no acelerador, o Eos ficou arisco e saiu cantando pneu, comportamento que poderia ser evitado com a ativação do ASR, o controle de tração. Assim como o sistema ABS, o ASR é integrado ao ESP (controle de estabilidade). O sistema ESP pode ser ativado por um botão no console central, próximo ao câmbio.
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O pacote de segurança do Eos também inclui airbags duplos frontais e laterais, alarme antifurto, cinto de segurança automático de três pontos para os quatro passageiros, além do sistema ARP (Active Rollover Protection), que, ao identificar perigo de capotamento (com a capota aberta) aciona, em 0,25 segundos, duas barras de proteção verticais nos encostos de cabeça traseiros para proteger os ocupantes.
MERCADO
Com a baixa de conversíveis no Brasil, o VW Eos (R$ 159.900) chega para disputar mercado com Peugeot 307 CC (R$ 132 mil, pela tabela Fipe) e Mégane Coupé Cabriolet (R$ 118 mil), importados desde o ano passado. Entre os rivais, o português da Volkswagen sai na frente pelo bom conjunto mecânico e lista de equipamentos - mas cobra caro por isso. O Eos é divertido e segue a receita dos conversíveis, buscando compradores emocionais. Com a oferta de sedãs e SUVs de luxo nessa faixa de preço, ficará difícil convencer o consumidor do 'papel e caneta' a entrar na dança portuguesa.
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| Ficha técnica | Eos 2.0 TSI Turbo |
|---|---|
| Motor | Dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, turbo, com injeção direta de gasolina |
| Cilindrada (cm³) | 1.984 |
| Potência (cv) | 200 a 6.000 rpm |
| Torque (kgfm) | 28,5 a 1.700 rpm |
| Câmbio | Automática de 6 marchas Tiptronic DSG (dupla embreagem) |
| Comprimento (m) | 4,41 |
| Largura (m) | 1,79 |
| Altura (m) | 1,44 |
| Entre-eixo (m) | 2,58 |
| Peso (kg) | 1.560 |
| Suspensão | Independente, tipo McPherson com mola helicoidal integrada, na dianteira, e independente, com braço transversal e longitudinal e mola helicoidal, na traseira |
| Tanque (l) | 55 |
| Preço (R$) | 159.900 |
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