Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Lafstudio
Enfim, o Tiguan. Num mercado afoito por modelos como Chevrolet Captiva e Hyundai Tucson, a Volkswagen finalmente está em busca do tempo perdido em um dos segmentos que mais cresce no País, o de utilitários esportivos. Primeiro SUV (Sporty Utility Vehicle) compacto da marca, produzido em Wolfsburg, na Alemanha, o Tiguan chega às concessionárias em apenas uma versão (R$ 124.190), equipada com o eficiente motor 2.0 TSI Turbo, o mesmo do Audi A3 Sportback.
Apesar de novato no mercado brasileiro, o SUV tem, por aqui, o amparo de seu irmão mais velho, o jipão de luxo Touareg, no qual foi inspirado. O Touareg chegou às lojas brasileiras em 2005, mas até hoje é um utilitário para poucos: a versão de entrada, com motor V6 3.6 litros, parte de R$ 201 mil. Menor e com menos pompa, o Tiguan é o caçula estratégico da Volkswagen para conquistar os consumidores. Na semana passada, tivemos nosso primeiro contato com o SUV durante seu lançamento à imprensa, em Campinas, interior de São Paulo.
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ESTILO
Talvez você tenha a impressão que já conhece o Tiguan. Mas essa aparência familiar vem de imagens distintas: o SUV compacto tem a pose do jipe Touareg e linhas que lembram o Passat. As lanternas traseiras, arredondadas, que se estendem para as laterais, assim como o logotipo da marca no centro da tampa do porta-malas, reforçam essa sensação. Rodas de liga-leve de 17 polegadas e dupla saída de escape lateral dão o tom da esportividade. Os retrovisores, elétricos e rebatíveis, trazem luzes indicadoras de direção.
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Os frisos cromados no Touareg ganham mais sutileza no Tiguan: os detalhes permanecem apenas no contorno das janelas e grade dianteira. A cor prata também acompanha as barras de teto, que ao invés de transversais, são longitudinais, para dar lugar ao teto solar panorâmico, opcional por R$ 7 mil. Com ele, não há briga para sentar no banco da frente: o teto é amplo e se estende até os assentos traseiros. É possível abrir a tela em qualquer posição por um botão elétrico no teto, próximo ao retrovisor interno.
Dentro do Tiguan, detalhes dão praticidade ao ambiente. Além de porta-trecos nas portas e console central, há gaveta para porta-objetos sob o banco do motorista, mesas dobráveis atrás dos bancos dianteiros e encosto do banco central traseiro rebatível, que pode servir de descansa braço ou porta-copos. Os passageiros de trás contam com duas saídas de ar centrais, tomada de 12 volts, além do ajuste longitudinal dos bancos. Com entre-eixos de 2,61 metros, o Tiguan tem espaço suficiente para uma viagem confortável, mas deixa a desejar no espaço para as bagagens. O porta-malas é bem modesto e tem capacidade para 360 litros. Concorrentes como o Captiva, o Tucson e o Honda CR-V tem 821 l, 644 l e 1.011 l, respectivamente.
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O luxo interno do Tiguan fica mesmo para os opcionais. O painel é de plástico, assim como portas e console central. Os bancos são de tecido e só trazem regulagem manual de altura, de série. A simplicidade, porém, não ofusca o capricho no acabamento. Pelo preço inicial (R$ 124.190), o consumidor leva o Tiguan com ar-condicionado digital dual-zone, computador de bordo, volante multifuncional em couro, retrovisor interno com sistema antiofuscamento, sensor de estacionamento traseiro, sensor de chuva e indicador de perda de pressão de pneus. Há ainda piloto automático, rádio CD player com MP3 e oito alto-falantes, entrada auxiliar, trio elétrico, farois de neblina, além de freios ABS e airbags duplo frontal, de cortina e lateral dianteiro. Bancos em couro, ajuste elétrico para altura e apoio lombar são opcionais – e disponíveis apenas para o motorista. A lista extra também conta com sistema de aquecimento para os assentos dianteiros, rodas em liga-leve 18’’, farois de xênon direcionais com lavador, gancho para reboque e módulo off-road, que ajusta as características de dirigibilidade do veículo para terrenos acidentados. Com todos esses itens, o SUV pode chegar a R$ 150 mil, segundo a Volkswagen.
DESEMPENHO
O Tiguan é como aquele irmão caçula espevitado. Não tem medo de arriscar, muito menos de fazer feio diante dos mais velhos. É só pisar, que o jovem SUV responde sem a menor dificuldade, com seus bons 28,5 kgfm de torque, graças ao desempenho exemplar do motor 2.0 TSI Turbo, de 16 válvulas. O propulsor, de tecnologia Audi (marca pertencente ao grupo Volkswagen), atinge 200 cavalos de potência a 5.100 rpm. Segundo dados de fábrica, o jipinho faz 6,8 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada.
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Na estrada, o Tiguan esbanja fôlego e boa dirigibilidade. Tivemos oportunidade de experimentá-lo em um trecho de aproximadamente 50 quilômetros entre as cidades de Campinas e São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. E não foi preciso muito esforço para ele alcançar os 120 km/h, limite de velocidade estabelecido em boa parte das rodovias. A boa posição de dirigir e a estrada livre foram um convite a pisar fundo no acelerador. Segundo a Volkswagen, o Tiguan acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,5 segundos. A velocidade máxima é de 207 km/h.
O câmbio automático Tiptronic de seis marchas tem trocas sutis e traz a opção ‘S’ (Sport), que dá ainda mais disposição ao SUV. Há também a opção de trocas manuais, pela própria alavanca ou pelo volante (item opcional). A direção eletromecânica, com assistência variável, dá o conforto e segurança necessários em diferentes velocidades, além de deixar o volante livre de qualquer vibração. Com suspensão independente nas quatro rodas, herdada do Passat – McPherson, na dianteira, e Four-link, na traseira - o Tiguan passa completa tranqüilidade aos ocupantes, que pouco sentem as imperfeições do solo. A tração integral nas quatro rodas (4Motion) também ajuda nesse processo, adaptando-se a diferentes tipos de terreno.
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O Tiguan sai de série equipado com freios ABS com assistência BAS (sistema que reconhece a rapidez da frenagem em momentos de pânico e aciona o ABS automaticamente), ASR (controle de tração) e ESP (controle de estabilidade). Lançado em 2007, no Salão de Frankfurt, na Alemanha, o utilitário tem nota máxima em crash-test (cinco estrelas do EuroNCAP) e já obteve o melhor resultado no teste de capotagem realizado pelo órgão norteamericano Institute Insurance Highway Safety (IIHS).
MERCADO
Em tempos de Captiva, a partir de R$ 86.990 (na versão 2.4 litros Ecotec), e de um segmento cheio de bons concorrentes, o Tiguan terá grandes desafios no mercado brasileiro. Mas apesar do preço elevado, o jipinho chega ao Brasil cheio de personalidade, equipamentos de segurança e um conjunto mecânico invejável. Resta saber se ele vai conquistar a preferência dos consumidores tão disputados pelas montadoras. Cautelosa, a Volkswagen não divulga suas previsões de vendas.
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| Ficha técnica | Tiguan 2.0 TSI Turbo |
|---|---|
| Motor | Dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, turbo, com injeção direta de gasolina |
| Cilindrada (cm³) | 1.984 |
| Potência (cv) | 200 a 5.100 rpm |
| Torque (kgfm) | 28,5 a 5.000 rpm |
| Câmbio | Automático Tiptronic de seis velocidades |
| Comprimento (m) | 4,43 |
| Largura (m) | 1,81 |
| Altura (m) | 1,66 |
| Entre-eixo (m) | 2,60 |
| Peso (kg) | 360 | >
| Suspensão | Independente, de três braços, tipo McPherson, com mola helicoidal, na dianteira. Independente, com braço longitudinal e transversal e mola helicoidal, na traseira. |
| Freios | A disco nas quatro rodas, ventilado na dianteira. ABS, ASR (controle de tração) e ESP (controle de estabilidade) |
| Tanque (l) | 64 |
| Consumo (dados de fábrica - km/l) | 26,8 (cidade), 11,9 (estrada) e 8,4 (médio) |
| Velocidade final (km/h) | 207 |
| Preço (R$) | 124.190 |
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