Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos e vídeo: Oswaldo Palermo/Divulgação
O tempero que faltava ao segmento dos monovolumes tem, novamente, sabor japonês. Depois do Honda Fit, que sacudiu o mercado brasileiro e se firmou como grande sucesso de vendas no País, a Nissan entra no segmento com o Livina, primeiro carro de passeio da marca produzido no Brasil e que inicia a era ‘flex’ da fabricante. Numa analogia com o mundo gastronômico, ao contrário do efeito ‘wasabi’ (tempero picante em pasta, utilizado na culinária japonesa) que o Fit provocou no mercado, o Livina parece seguir uma receita menos provocante – e nem por isso pouco saborosa -, regada ao tradicional molho ‘shoyu’.
Com espaço para cinco lugares e porta-malas de 449 litros, o discreto monovolume da Nissan chega às concessionárias nesta semana em quatro versões: duas equipadas com motor 1.6 e câmbio manual e duas com motor 1.8 litros com transmissão automática de quatro velocidades. Durante o lançamento do Livina em Curitiba (PR), tivemos nossas primeiras impressões do modelo base, 1.6 litros Flex, e do topo de linha, 1.8 l Flex SL.
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ESTILO
Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, o Nissan Livina já é muito familiar em diversas regiões do mundo, como China, Indonésia, Vietnã, Taiwan, África do Sul, Malásia e Filipinas, onde mais de 100 mil unidades do modelo já foram produzidas. No design frontal, traz linhas inspiradas no crossover Murano, principalmente no capô, grade frontal e para-choque. A traseira tem um visual limpo, com desenho das lanternas que não se integra à tampa do porta-malas, um design que já divide opiniões.
Todas as versões do Livina saem de fábrica com para-choques na cor do veículo. Para ter retrovisores externos e maçanetas na cor da carroceria, é preciso optar pelas versões SL, tanto com motor 1.6 quanto com motor 1.8 litros, que também são equipadas com farois de neblina e rodas de liga-leve de 15 polegadas. Sem o sobrenome ‘SL’, o Livina traz rodas de aço de 14’’. O visual externo ainda conta com um pacote especial de acessórios, o ‘Aerokit’, ainda sem preço divulgado, que inclui spoilers dianteiros e traseiros, saias laterais e aerofólio. Destaque também para o reservatório de partida a frio, que ao invés de ficar sob o capô, fica na parte externa, entre a tampa do capô e o para-brisa, facilitando o abastecimento.
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No modelo 1.6 litros com câmbio manual (R$ 46.690), o Livina segue à risca a denominação de ‘versão de entrada’. Os bancos são revestidos em tecido, não há sistema de som instalado, alarme ou travamento automático das portas com o veículo em movimento. Os encostos do banco de trás são rebatíveis e não bipartidos. Por outro lado, é equipado com ar-condicionado (manual em todas as versões), tomada 12 V no console central, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores) e outros equipamentos importantes de segurança, que veremos adiante. O acabamento interno é simples - com plástico no painel, volante e portas - mas primoroso, sem qualquer indício de rebarbas ou encaixes mal feitos.
O que faz falta no Livina 1.6 é o que se destaca no modelo topo de linha. O 1.8 litros SL (R$ 56.690) traz rádio CD Player com MP3 e entrada auxiliar para iPod (no próprio console, facilitando a vida do motorista), alarme, revestimento do volante em couro, encosto do banco traseiro bipartido (60/40), travamento automático das portas e do porta-malas, relógio integrado ao display do rádio e abertura e fechamento das portas por controle remoto.
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O bom espaço interno é um dos pontos fortes da minivan. No banco de trás, o Livina dá tranqüilidade às pernas e às cabeças dos passageiros, já que a altura do teto é suficiente para não incomodar os mais altos. Quem viaja no meio, porém, não tem encosto de cabeça. A minivan tem 4,18 m de comprimento, 1,69 m de largura, 1,57 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos. A capacidade do porta-malas (449 l) pode ser ampliada para 769 litros com os bancos rebatidos.
DESEMPENHO
A posição de dirigir do Livina é agradável, mesmo com a regulagem imprecisa do encosto, por alavanca, e o cinto de segurança sem regulagem de altura. Esse ajuste fica só para o volante de três raios que, por sua vez, não traz regulagem de profundidade em nenhuma das versões. O computador de bordo, indisponível na gama, também faz falta. Mesmo assim, a boa ergonomia do Livina dá a sensação que tudo está em seu devido lugar. Os comandos dos vidros e travas ficam na porta do condutor, enquanto o controle dos retrovisores está localizado à esquerda do volante.
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Na versão 1.6 litros Flex, de 16 válvulas, o Livina gera 108 cavalos de potência (álcool) e 104 cv (gasolina) a 5.750 rpm. Já o torque máximo é de 15,3 kgfm, com álcool, e 14,9 kgfm, com gasolina, a 3.750 rpm. Com 90% do torque disponível até os 2.500 rpm, o monovolume mostra muita agilidade no trânsito. O câmbio manual ajuda a garantir boa dirigibilidade, já que proporciona trocas de marchas curtas e precisas. No quesito segurança, o 1.6 se destaca por trazer de série airbag para o motorista, mas só os modelos SL são equipados com airbags duplos e freios ABS com controle eletrônico de frenagem (EBD) e assistência de frenagem (BA).
A transmissão automática, disponível apenas nos modelos equipados com motor 1.8 litros, é igualmente agradável e não transmite trancos. Na versão 1.8 SL, há a opção do recurso overdrive, que alonga a relação da quarta marcha e privilegia o consumo de combustível. O propulsor 1.8 Flex gera 126 cv (álcool) e 125 cv (gasolina) a 5.200 rpm. O torque máximo é de 17,5 kgfm (A) e 17,5 kgfm (G), disponível a 4.800 rpm.
O Livina é privilegiado pela suspensão firme, que priva os ocupantes dos desconfortos do solo e dá estabilidade nas curvas - mesmo com a característica de vulnerabilidade desse tipo de carroceria. O bom isolamento acústico garante um ambiente interno silencioso, mas durante o test-drive, acima dos 100 km/h, o ruído de vento foi bastante perceptível.
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MERCADO
Discreto, o primeiro monovolume da Nissan quer enfrentar, além do líder da Honda (a partir de R$ 53.265, nas versões 1.4 l e 1.5 l), os rivais Chevrolet Meriva, que oferece opções de motorização 1.4 l e 1.8 l, a partir de R$ 45.438, e o Fiat Idea, também com motores 1.4 l e 1.8 l, que começa em R$ 39.100 . A Nissan quer vender 700 unidades por mês do Livina, expectativa modesta para os tempos de crise. A maior aposta está no modelo de entrada, o 1.6 litros com câmbio manual, que deve responder por 35% do mix de vendas, seguido do Livina 1.8 litros ‘simples’, com 25%. Nos próximos meses, a Nissan apresentará Grand Livina, com espaço para sete lugares. O ano também reserva outras novidades, como as versões Flex do hatch Tiida e do sedã Sentra.
| Ficha técnica | Livina 1.6 Flex manual | Livina 1.6 Flex automático |
|---|---|---|
| Motor | 1.6 litros, 16 válvulas, bicombustível, quatro cilindros e com acelerador eletrônico | 1.8 litros, 16 válvulas, bicombustível, quatro cilindros e com acelerador eletrônico |
| Cilindrada (cm³) | 1.598 | 1.798 |
| Potência (cv) | 108 (A) e 104 (G) a 5.750 rpm | 126 (A) e 125 (G) a 5.200 rpm |
| Torque (kgfm) | 15,3 (A) e 14,9 (G) a 3.750 rpm | 17,5 a 4.800 rpm |
| Câmbio | Manual de cinco velocidades | Automático de 4 velocidades |
| Comprimento (m) | 4,18 | |
| Largura (m) | 1,69 | |
| Altura (m) | 1,57 | |
| Entre-eixo (m) | 2,60 | |
| Peso (kg) | 1.159 | 1.193 |
| Suspensão | Independente tipo McPherson com barra estabilizadora, na dianteira, e eixo de torção com barra estabilizadora e molas helicoidais, na traseira | |
| Preço (R$) | 46.690 | 56.690 |
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