Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Fábio Franci/Studio Cerri e Divulgação Fiat
Quando a equipe do Centro de Estilo da Fiat, em Betim (MG), recebeu a missão de desenhar um novo carro-conceito para o Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, um pássaro pousou sobre as idéias do designer Manuel Alexandre Ferreira, responsável pelo design externo do protótipo. O FCC II (Fiat Concept Car), segundo carro-conceito da Fiat totalmente desenvolvido no Brasil, ganhou linhas que lembram o peito pronunciado de uma ave e ‘asas’ que se estendem pelas laterais do veículo.
A sensação de liberdade e contato com a natureza é complementada pela carroceria inspirada em um buggy. Não há portas laterais e o protótipo leva jeito de aventureiro. O conceito também traz características de um roadster, como o espaço para dois lugares, ausência de teto rígido e para-brisa envidraçado na altura dos olhos do motorista. As rodas são de 19 polegadas. Da mistura entre buggy e roadster, nasceu o apelido do FCC II dentro da fábrica: bugster. É assim que preferimos chamá-lo também.
O espírito natural do bugster se estende ao motor elétrico de 59 kW (80,2 cv de potência), alimentado por 93 baterias de íon-lítio, que proporcionam uma autonomia de até 100 quilômetros. Para carregá-lo, basta plugar uma extensão na parte de trás do veículo, ligá-la a uma tomada de 220 volts, e esperar por oito horas. As baterias duram 200 mil quilômetros e respondem por cerca de 200 quilos do total de 680 kg do veículo.
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Como todo carro elétrico, o bugster é silencioso. Tanto que, ao virar a chave, fica difícil ter certeza que ele está realmente ligado. “Pode ir, o motor já está funcionando”, ajudou o engenheiro da Fiat. O câmbio é Dualogic, o mesmo utilizado nos modelos Fiat Linea e Stilo, mas as trocas de marchas são feitas por botões na parte central do painel. Basta puxar o freio de mão, que fica entre os bancos, colocar o pé no acelerador e apertar o botão D (Drive), que o protótipo está pronto para seguir em frente. A ré é igualmente acionada pelo painel, no botão R.
Para que todos os jornalistas pudessem experimentar o protótipo sem correr o risco de ficar na mão com o fim da carga das baterias, o passeio foi curto. Tivemos direito a apenas duas voltas no circuito do kartódromo, que tem quase um quilômetro de extensão. Com um motor extremamente silencioso, posicionado na traseira, o barulho vem mesmo de partes da carroceria e do para-brisa, que chacoalha um pouco. A direção mecânica exige esforço adicional em curvas e manobras. Difícil também é a visibilidade, já que os retrovisores não são reguláveis e muito pequenos. O motor de 80,2 cavalos demora um pouco para ganhar velocidade, mas não atrapalha a diversão.
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A cor verde da carroceria, que combina com detalhes em cinza e preto, se estende pelo painel interno e console central que fica entre os bancos. Lá também há dois porta-copos e duas bolsinhas de pano improvisadas, que servem como porta-objetos. No painel central, outro destaque é o display com sistema de localização por GPS. O painel de instrumentos mostra velocímetro e contagiros em formas arredondadas, enquanto no centro há também uma tela digital com outras informações, como velocidade do veículo .
De um modo geral o acabamento não é primoroso, característica perdoável para um protótipo projetado e construído artesanalmente, em menos de oito meses. “Tentamos mostrar refinamento nos detalhes”, explicou o designer Manuel Ferreira. Um exemplo é o volante caprichado, vindo do compacto Fiat Cinquecento, assim como os faróis dianteiros e traseiros em LED (diodos emissores de luz), sendo que os dianteiros incorporam tecnologia bixenon.
Clique nas imagens para ampliá-las Diversão e meio ambiente
Mais importante que o resultado de desempenho ou design do bugster é a experiência de pesquisa, que pode ajudar muito no desenvolvimento de novos materiais, processos e tecnologias para os futuros modelos. "É um grande laboratório", afirmou Ferreira. Nesse sentido, o FCC II é um carro-conceito que merece aplausos.
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A diversão dentro do bugster é garantida. O vento sopra contra o rosto, prazer que os pássaros e donos de roadsters estão acostumados. Mas São Pedro também precisa colaborar, e felizmente contamos com essa sorte no dia do breve teste em Aldeia da Serra, interior de São Paulo. Para começar, cinto de quatro pontos para motorista e passageiro. Ao meu lado, o engenheiro de Produto da Fiat, Tochi Noce, explicou cada detalhe do protótipo.
Estes foram os dois conceitos principais para que os engenheiros da Fiat imaginassem o carro do futuro. O bugster é considerado um carro ecologicamente correto, mas que não deixa para trás o prazer dos ocupantes e o contato com a natureza. É o que a Fiat chama de 'Environment & Fun'. Foram investidos mais de R$ 1,5 milhão no projeto, e a equipe de designers e engenheiros recebeu ‘carta branca’ da montadora para usar e abusar da criatividade, sem se preocupar com a viabilidade do veículo.
| Ficha técnica | FCC II |
|---|---|
| Motor | Elétrico, traseiro, 93 baterias de íon-litio |
| Potência (cv) | 80,2 |
| Torque (kgfm) | 22,9 |
| Câmbio | Automatizado Dualogic |
| Comprimento (m) | 3,24 |
| Largura (m) | 1,81 |
| Altura (m) | 1,48 |
| Entre-eixo (m) | 2,15 |
| Peso (kg) | 980 |
| Suspensão | Quadrilátero na dianteira e independente McPherson, na traseira |
| Freios | A disco nas quatro rodas |
| Velocidade máxima | 120 km/h |
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