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O voo do bugster - 20/02/2009

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Dirigimos o FCC II, novo carro-conceito da Fiat

Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Fábio Franci/Studio Cerri e Divulgação Fiat

Foto 1

Quando a equipe do Centro de Estilo da Fiat, em Betim (MG), recebeu a missão de desenhar um novo carro-conceito para o Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, um pássaro pousou sobre as idéias do designer Manuel Alexandre Ferreira, responsável pelo design externo do protótipo. O FCC II (Fiat Concept Car), segundo carro-conceito da Fiat totalmente desenvolvido no Brasil, ganhou linhas que lembram o peito pronunciado de uma ave e ‘asas’ que se estendem pelas laterais do veículo.

A sensação de liberdade e contato com a natureza é complementada pela carroceria inspirada em um buggy. Não há portas laterais e o protótipo leva jeito de aventureiro. O conceito também traz características de um roadster, como o espaço para dois lugares, ausência de teto rígido e para-brisa envidraçado na altura dos olhos do motorista. As rodas são de 19 polegadas. Da mistura entre buggy e roadster, nasceu o apelido do FCC II dentro da fábrica: bugster. É assim que preferimos chamá-lo também.

O espírito natural do bugster se estende ao motor elétrico de 59 kW (80,2 cv de potência), alimentado por 93 baterias de íon-lítio, que proporcionam uma autonomia de até 100 quilômetros. Para carregá-lo, basta plugar uma extensão na parte de trás do veículo, ligá-la a uma tomada de 220 volts, e esperar por oito horas. As baterias duram 200 mil quilômetros e respondem por cerca de 200 quilos do total de 680 kg do veículo.

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Tal leveza se explica pela combinação do chassi tubular em aço com materiais alternativos aplicados em partes da carroceria. Os revestimentos dos discos de freio, por exemplo, foram feitos com plásticos compostos de nanoargila, mais resistentes à corrosão. Os bancos trazem espuma feita com 30% de óleo de soja reciclado, tecnologia já aplicada a 5% dos materiais dos bancos fabricados pela Fiat no Brasil. Como é uma plataforma de pesquisa, o bugster também serviu para os testes da aplicação da fibra de curauá, planta amazônica, além da fibra de sisal.

Ao volante

A diversão dentro do bugster é garantida. O vento sopra contra o rosto, prazer que os pássaros e donos de roadsters estão acostumados. Mas São Pedro também precisa colaborar, e felizmente contamos com essa sorte no dia do breve teste em Aldeia da Serra, interior de São Paulo. Para começar, cinto de quatro pontos para motorista e passageiro. Ao meu lado, o engenheiro de Produto da Fiat, Tochi Noce, explicou cada detalhe do protótipo.

Como todo carro elétrico, o bugster é silencioso. Tanto que, ao virar a chave, fica difícil ter certeza que ele está realmente ligado. “Pode ir, o motor já está funcionando”, ajudou o engenheiro da Fiat. O câmbio é Dualogic, o mesmo utilizado nos modelos Fiat Linea e Stilo, mas as trocas de marchas são feitas por botões na parte central do painel. Basta puxar o freio de mão, que fica entre os bancos, colocar o pé no acelerador e apertar o botão D (Drive), que o protótipo está pronto para seguir em frente. A ré é igualmente acionada pelo painel, no botão R.

Para que todos os jornalistas pudessem experimentar o protótipo sem correr o risco de ficar na mão com o fim da carga das baterias, o passeio foi curto. Tivemos direito a apenas duas voltas no circuito do kartódromo, que tem quase um quilômetro de extensão. Com um motor extremamente silencioso, posicionado na traseira, o barulho vem mesmo de partes da carroceria e do para-brisa, que chacoalha um pouco. A direção mecânica exige esforço adicional em curvas e manobras. Difícil também é a visibilidade, já que os retrovisores não são reguláveis e muito pequenos. O motor de 80,2 cavalos demora um pouco para ganhar velocidade, mas não atrapalha a diversão.

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A cor verde da carroceria, que combina com detalhes em cinza e preto, se estende pelo painel interno e console central que fica entre os bancos. Lá também há dois porta-copos e duas bolsinhas de pano improvisadas, que servem como porta-objetos. No painel central, outro destaque é o display com sistema de localização por GPS. O painel de instrumentos mostra velocímetro e contagiros em formas arredondadas, enquanto no centro há também uma tela digital com outras informações, como velocidade do veículo .

De um modo geral o acabamento não é primoroso, característica perdoável para um protótipo projetado e construído artesanalmente, em menos de oito meses. “Tentamos mostrar refinamento nos detalhes”, explicou o designer Manuel Ferreira. Um exemplo é o volante caprichado, vindo do compacto Fiat Cinquecento, assim como os faróis dianteiros e traseiros em LED (diodos emissores de luz), sendo que os dianteiros incorporam tecnologia bixenon.

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Diversão e meio ambiente

Estes foram os dois conceitos principais para que os engenheiros da Fiat imaginassem o carro do futuro. O bugster é considerado um carro ecologicamente correto, mas que não deixa para trás o prazer dos ocupantes e o contato com a natureza. É o que a Fiat chama de 'Environment & Fun'. Foram investidos mais de R$ 1,5 milhão no projeto, e a equipe de designers e engenheiros recebeu ‘carta branca’ da montadora para usar e abusar da criatividade, sem se preocupar com a viabilidade do veículo.

Mais importante que o resultado de desempenho ou design do bugster é a experiência de pesquisa, que pode ajudar muito no desenvolvimento de novos materiais, processos e tecnologias para os futuros modelos. "É um grande laboratório", afirmou Ferreira. Nesse sentido, o FCC II é um carro-conceito que merece aplausos. Mais avaliações

Ficha técnica FCC II
Motor Elétrico, traseiro, 93 baterias de íon-litio
Potência (cv) 80,2
Torque (kgfm) 22,9
Câmbio Automatizado Dualogic
Comprimento (m) 3,24
Largura (m) 1,81
Altura (m) 1,48
Entre-eixo (m) 2,15
Peso (kg) 980
Suspensão Quadrilátero na dianteira e independente McPherson, na traseira
Freios A disco nas quatro rodas
Velocidade máxima 120 km/h

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