Minha Área:

Aumentar a letra A A A

Classificados Porto Seguro

Avaliação

Mais que um monovolume 24/10/2008

Mais avaliações

Renovado, Fit promete atrair (de novo) compradores de outros segmentos

Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Divulgação

Crises de identidade nem sempre são negativas. Quer um exemplo? Pense no Honda Fit. Ele nasceu para concorrer com as minivans, mas desde o começo o fabricante insiste em chamá-lo de um veículo multiuso por considerar que o modelo não se enquadra em nenhuma das denominações apontadas pelo mercado. No fundo, talvez a marca japonesa sempre soube que ele tinha um algo a mais. O Fit não só conquistou o público dos monovolumes, mas conseguiu fisgar compradores de outras categorias, como a dos hatchbacks. Não é à toa que, desde 2001, mais de dois milhões de unidades do modelo, conhecido como Jazz na Europa, foram comercializadas em todo o mundo.

Mas os resultados positivos não ofuscaram a determinação japonesa. A Honda mexeu, sim, no que já vinha dando certo. Para melhor. A segunda geração do Fit, lançada recentemente na Europa e Japão, chega às concessionárias brasileiras na segunda quinzena de novembro, em quatro versões (antes eram três), todas com motor flex: 1.4 LX e LXL, 1.5 EX e a nova 1.5 EXL, que se diferencia por trazer revestimentos dos bancos em couro.

Clique nas imagens para ampliá-las

Além de mudanças no visual e no nome - ele agora é New Fit, como o sedã Civic -, o monovolume recebeu melhorias no desempenho, dirigibilidade e estabilidade. Antes de conhecê-lo de perto no Salão do Automóvel de São Paulo, que começa na próxima quinta-feira (30), confira nossas primeiras impressões do lançamento. O test-drive exclusivo para a imprensa foi realizado no início do mês, em Indaiatuba, interior de São Paulo.

ESTILO
Nada de facelift. O New Fit está, nitidamente, de cara nova, mesmo sem perder a identidade visual da geração anterior. Ganhou mais esportividade, principalmente no design frontal, com linhas do capô mais avançadas, nova grade frontal e pára-lamas alargados. A linha de teto ficou mais baixa na parte traseira do carro e agora ele vem equipado com rodas de liga-leve de aro 15'' e pneus 175/65 na versão 1.4 e aro 16'' com pneus 185/55 para os modelos 1.5. Na traseira, o vidro passa a ter moldura escurecida e parte inferior mais larga.

Clique nas imagens para ampliá-las

Dizem os colegas de profissão - uma maioria masculina - que o Fit agora tem jeitão de carro 'de homem'. Mulheres, fujam à regra. O carro está ainda mais atraente, para todos os públicos, sem distinção. É o que também dá para comprovar ao entrar no veículo. Com acabamento caprichado, o monovolume traz mais itens de sofisticação, a exemplo da nova versão 1.5 EXL, que sai de fábrica com bancos revestidos de couro e sistema de som (CD Player com MP3, WMA e entrada auxiliar para P2, tipo fone de ouvido, e USB) integrado ao painel e com comandos no volante - este herdado do irmão Civic.

O painel de instrumentos também mudou. Todas as versões agora saem de fábrica com um display central com computador de bordo, que dá ao motorista informações sobre consumo instantâneo de combustível em km/l, autonomia e os hodômetros total e parcial. Em comum, as quatro versões do Fit trazem ar-condicionado, sendo manual nas versões 1.4 e digital nos modelos 1.5, banco do motorista com regulagem de altura, coluna de direção ajustável em altura e profundidade, apoio para o pé, além de vidros, travas elétricas e outros itens.

O Fit cresceu por dentro e por fora. No comprimento, ganhou 70 milímetros em relação à geração anterior (agora são 3,90 metros), 20 mm a mais na largura (1,69 m) e 10 mm na altura (1,53 m). A distância entreeixos passou de 2,45 m para 2.50 m, medida que traduz a sensação de mais espaço interno dentro do veículo. A área envidraçada, incluindo pára-brisa e janela dianteira, também aumentou para melhorar a visibilidade dos ocupantes. Mas a coluna A, mesmo mais estreita, ainda atrapalha a visão do motorista em algumas situações, como em curvas mais acentuadas.

Como não poderia deixar de ser, o monovolume traz versatilidade. Todas as versões são cheias de porta-trecos, além de duplo porta-luvas e console central com divisória. Outra novidade são os bancos rebatíveis e bipartidos, com mais de dez configurações de posicionamento, que equipam todos os modelos. O porta-malas agora tem capacidade para 384 litros.

DESEMPENHO
Quem estava acostumado com o Fit automático pode se desapontar ao saber que a Honda abriu mão do câmbio CVT (Continuously Variable Transmission), que proporcionava trocas de marchas contínuas, sem trancos. A partir de agora, o câmbio é automático de cinco velocidades, único no segmento. A decisão foi racional: ajustar o CVT ao novo motor iVTEC Flex custaria tempo e dinheiro para o fabricante, afinal ele não possui conversor de torque, necessário aos propulsores que rodam com álcool e gasolina.

Clique nas imagens para ampliá-las

Para amenizar a sensação de trocas de marchas pelo motorista, a Honda aplicou três solenóides à transmissão, mas nem por isso o condutor deixa de senti-las. O que também não é ruim, afinal o Fit ficou ainda mais divertido de guiar. O 1.5 ELX com câmbio automático sairá de fábrica equipado com o sistema 'Paddle Shift', que permite trocas de marchas pelas borboletas no volante, outra herança do Civic. O câmbio manual também traz engates precisos.

Com o novo propulsor i-VTEC, que controla eletronicamente a abertura de válvulas para máxima eficiência em diferentes regimes de rotação, o Fit ganhou mais torque e potência. Na versão 1.4 l, o motor tem torque de 13 kgfm a 4.800 rpm e produz 101 cavalos a 6.000 rpm, quando abastecido com álcool, e 100 cv na mesma rotação, com gasolina, um acréscimo de 21,6% em relação à geração anterior. Já o motor 1.5 l, com torque de 14,8 kgfm a 4.800 rpm, está 10% mais potente: gera 116 cavalos a 6.000 rpm (álcool) e 115 cavalos com gasolina.

Na pista, dá para sentir a diferença. No caso do motor 1.4 l, a tecnologia i-VTEC privilegia a economia de combustível. Portanto, o bom torque é mantido em baixas rotações e acima de 3.500 rpm, quando o carro responde bem às retomadas em segunda e terceira marchas. Já o motor 1.5 l tem jeito de esportivo, entregando mais torque em médias e altas rotações. Em terceira marcha, com câmbio manual, o Fit mostrou muito fôlego na pista, mesmo em trechos mais íngremes. Mas o habitáculo não fica tão silencioso quando o conta-giros atinge os 5.000 rpm constantes.

Clique nas imagens para ampliá-las

Com suspensão redimensionada e centro de gravidade mais baixo que o modelo anterior, o Fit se mostra ainda mais estável, principalmente em curvas. A sensação de segurança ao dirigir fica mais completa com a direção eletricamente assistida, que torna o volante mais leve em baixas velocidades e firme em altas. Aliás, segurança é outra palavra-chave para a Honda: o New Fit passa a trazer de série, em todas as versões, airbags frontais duplos, apoios de cabeça e cinto de segurança de três pontos para os cinco ocupantes. Freios ABS saem de fábrica nas versões 1.4 LXL, 1.5 EX e 1.5 EXL, mas indisponíveis para o modelo de entrada, 1.4 LX.

MERCADO
Os preços do New Fit só serão revelados na próxima segunda-feira, dia 27, durante coletiva de imprensa da Honda no Salão do Automóvel de São Paulo, mas a expectativa é de que o modelo chegue mais salgado que a geração atual.Hoje, a faixa de preço do Fit varia de R$ 47 mil a R$ 55 mil, nos valores de tabela.

Líder no segmento de monovolumes, o Fit está à frente de modelos como Fiat Idea e Chevrolet Meriva, de acordo dados da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores). Mas é bom que outros segmentos fiquem de olho nele. Afinal, mais do que nunca, o modelo enfrenta completa crise de identidade. Muito positiva, por sinal.

Clique nas imagens para ampliá-las

Mais avaliações
Ficha técnica New Fit 1.4 LX New Fit 1.5 EXL New Fit 1.5 l EXL (aut.)
Motor 1.4 litros, 16 válvulas, i-VTEC Flex, dianteiro, quatro cilindros 1.5 litros, 16 válvulas, i-VTEC Flex, dianteiro, quatro cilindros
Potência (cv) 01 cv (A) e 100 cv (G) a 6.000 rpm 115(A) e 116 (G) a 6.000 rpm
Torque (kgfm) 13 kgfm a 4.800 rpm (A/G) 14,8 kgfm a 4.800 rpm (A/G)
Câmbio Automático de cinco marchas Manual de cinco marchas Automático de cinco marchas
Comprimento (m) 3,90
Largura (m) 1,69
Altura (m) 1,53
Entre-eixo (m) 2,50
Peso (kg) 1.113 1.108 1.141
Suspensão Independente, McPherson, na dianteira, barra de torção, na traseira
Freios Discos ventilados com ABS, nos dianteiros, e tambor com LSPV (válvula proporcionadora sensível à carga), nos traseiros Discos ventilados com ABS, nos dianteiros, e tambor com LSPV (válvula proporcionadora sensível à carga) e ABS, nos traseiros Discos dianteiros ventilados com ABS, tambor e ABS nos traseiros
Tanque (l) 42 (aproximadamente)
Preço (R$) Ainda não divulgado

Copyright Classificados Porto Seguro - Todos os direitos reservados