Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Ricardo Hirae/Divulgação
Irmãos gêmeos nem sempre são idênticos, graças ao fenômeno dos bebês bivitelinos, formados a partir da fecundação de dois ou mais óvulos. Numa comparação com o mundo automotivo, foi o que aconteceu na primeira ‘gestação’ da nova família Volkswagen. Novo Gol e Voyage nasceram juntos, mas com categorias distintas. No DNA, compartilham a mesma plataforma, os traços atraentes de design, o espaço interno e a tecnologia dos propulsores VHT (Volkswagen High Torque) 1.0 l e 1.6 l. A principal diferença está no porta-malas saliente do Voyage, que o posiciona no segmento de sedãs pequenos, no qual a ‘mãe’ Volkswagen quer se tornar líder.
Por uma questão estratégica, os irmãos foram separados no berço. Enquanto o Novo Gol estreou no mercado brasileiro em julho, o sedã passou mais três meses na fábrica de Taubaté, interior de São Paulo, esperando seu batizado. ‘Novo Gol Sedan’? Nada disso. Voyage. Em pesquisa realizada pela Volkswagen, os consumidores aceitaram muito bem a volta do nome do lendário modelo, lançado na década de 80 e descontinuado em 1996. Voyage é considerado um nome ‘marcante’ – um bom começo para quem quer alcançar a liderança.
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Apresentado oficialmente na última quarta-feira (24), em Florianópolis (SC), o Voyage chega às concessionárias em outubro, em quatro versões de acabamento: 1.0 l básica, 1.6 l básica, 1.6 Trend e 1.6 Comfortline, por preços que variam de R$ 30.990 e R$ 39.430. Durante teste realizado ontem (25), nas estradas e ruas que cercam a ilha catarinense, avaliamos a versão de entrada, 1.0 l, e a topo de linha do sedã, 1.6 l Comfortline.
ESTILO
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Barone tem razão. A linha que parte do capô e contorna a carroceria desce levemente para o porta-malas, sem dar a impressão que o terceiro volume foi ‘encaixado’ na traseira. De frente, o Voyage tem o mesmo visual agressivo do irmão, enquanto os traços das laterais dão a sensação de movimento. A traseira, mais discreta, traz alguns detalhes que lembram o Novo Gol, como o desenho das lanternas.
Ao entrar no Voyage, a sensação é de estar ‘abraçado’ pelo veículo, mais uma herança do irmão hatch. Na parte interna, as diferenças entre ambos se restringem às novas cores no acabamento interno, mais ‘quentes', mas se que são quase imperceptíveis – é como a dura tarefa de diferenciar irmãos gêmeos, aqueles idênticos, à primeira vista. Por isso que, internamente, hatch e sedã podem ser considerados gêmeos idênticos: oferecem o mesmo espaço, bom e confortável, graças à mesma medida entreeixos, de 2,46 metros.
Clique nas imagens para ampliá-las DESEMPENHO
Para se equiparar ao Novo Gol nos padrões de estabilidade, desempenho e frenagem, o Voyage recebeu reforço no eixo traseiro – o que aumentou sua capacidade líquida em 10% (440 quilos) -, acertos na suspensão, aumento da rigidez dinâmica em 7%, além de alterações nos freios, como a implantação de uma válvula reguladora de pressão no sistema traseiro, capaz de melhorar o espaço de frenagem com o carro ‘carregado’. O resultado é um carro delicioso de guiar.
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No primeiro trecho do teste, de aproximadamente 30 km, entre as praias de Ponta das Canas e Pântano do Sul, o motor 1.6 litro, já conhecido no Novo Gol e em modelos como Golf, Fox, Polo e Polo Sedan, mostrou toda a sua disposição, com trocas de marchas rápidas e precisas, respostas rápidas e com poucas vibrações transmitidas ao interior do veículo, mesmo nos regimes de alta rotação.
Com o motor 1.0 litro, não foi muito diferente. Em trechos urbanos e de estrada entre a Praia Mole e a região central da cidade, o propulsor apresentou bom desempenho na maior parte do percurso – mas, claro, sem bagagens no porta-malas. Em quinta marcha e a uma velocidade média de 100 km/h, em trechos de retas, trabalhou a uma rotação de 3.500 giros, subindo para 4.000 rpm a 120 km/h e ainda mostrando disposição. Nas subidas, porém, sofria para seguir em terceira marcha.
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A versão básica 1.0 do Voyage, avaliada pelo Carsale, por R$ 30.990, sai de fábrica com pára-choques na cor do veículo, apoios de cabeça traseiros, pára-sóis com espelho, tomada 12V, porta-malas com iluminação e revestido em carpete, hodômetro, desembaçador do vidro traseiro e banco do motorista com regulagem de altura – um mecanismo que deixa a desejar. Porém, se for equipada com o kit VI, que inclui ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricos, chave canivete, alarme e acionamento do porta-malas por controle, o preço salta para R$ 36.435.
Além destes e outros itens, a versão 1.6 l Comfortline, que tem preço sugerido de R$ 39.430, vem com direção hidráulica, seis alto-falantes, rodas de aço 15’’ (as demais versões são equipadas com rodas de aro 14’’), brake-light e volante com regulagem de altura e profundidade. Mas o kit VI, que inclui ar-condicionado e direção, também é opcional, e salga o preço para R$ 42.905. Freios com ABS e airbags duplos são opcionais, assim como o conta-giros no painel de instrumentos.
Clique nas imagens para ampliá-las MERCADO
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“Um sedã na medida certa” é a denominação que a Volkswagen atribui ao Voyage. E não é só por suas medidas de 4,23 de comprimento, 1,65 m de largura e 1,46 m de altura. “Não há excessos e nada adaptado a partir de um outro carro”, afirmou Gerson Barone, gerente de Design & Package da Volkswagen do Brasil, durante coletiva de imprensa.
O ponto forte do Voyage, segundo a Volkswagen, é seu porta-malas. Além de ter capacidade para 480 litros, considerado um dos maiores do segmento, ele conta com destravamento elétrico, sistema patenteado pela Volkswagen, que permite sua abertura pelo acionamento por controle remoto na chave, opcional em todas as versões, ou por um botão no painel, de série em todos os modelos.
O rival mais importante do Voyage é o Fiat Siena, que hoje detém 26% de participação de mercado no segmento dos sedãs pequenos, com média mensal de 4.500 unidades vendidas por mês, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores). Na lista de concorrentes também está o Chevrolet Prisma, Ford Fiesta e o Renault Logan, que até o momento era o mais barato da categoria, por R$ 37 mil. Com a chegada do Voyage a preços competitivos – a versão de entrada parte de R$ 30.990 -, o preço do Logan já foi reposicionado para R$ 30.750. Mesmo assim, o sedã da Volkswagen, com design atraente e bom conjunto mecânico, promete chacoalhar o segmento.
| Ficha técnica | Voyage 1.0 l | Voyage 1.6 l Comfortline |
|---|---|---|
| Motor | Dianteiro, transversal, 1.0 8V, bicombustível | Dianteiro, transversal, 1.6 8V, bicombustível |
| Cilindrada (cm³) | 999 | 1.598 |
| Potência (cv) | 72 (G) e 76 (A) a 5.250 rpm | 101 (G) e 104 (A) a 5.250 rpm |
| Torque (kgfm) | 9,7 (G) e 10,6 (A) kgfm e a 3.850 rpm | 15,4 (G) e 15,6 (A) kgfm a 2.500 rpm |
| Câmbio | 15,4 (G) e 15,6 (A) kgfm a 2.500 rpm | |
| Comprimento (m) | 4,23 | |
| Largura (m) | 1,65 | |
| Altura (m) | 1,46 | |
| Entre-eixo (m) | 2,46 | |
| Capacidade carga (kg) | 480 | |
| Peso (kg) | 1.480 | |
| Suspensão | Independente, McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora de 19 mm de diâmetro nos modelos com direção hidráulica, na dianteira, e interdependente, com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores pressurizados, na traseira | |
| Freios | Duplo circuito hidráulico em diagonal, servofreio a vácuo (ABS opcional). A disco ventilado, na dianteira, e a tambor na traseira | |
| Tanque (l) | 55 | |
| Tanque (l) | 16,1 (G) e 11 (A), em trechos mistos | 15,5 (G) e 10,4 (A) |
| Preço (R$) | 30.990 | 39.430 |
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