Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Divulgação
Depois de entrar no segmento de carros de passeio - com o hatchback Tiida e o sedã Sentra -, e anunciar dois lançamentos para 2009 - os monovolumes Livina e o Grand Livina, que serão produzidos na fábrica de São José dos Pinhais (PR) -, a Nissan aposta em uma nova estratégia para se aproximar do consumidor brasileiro - só que, desta vez, no segmento de picapes médias, pelo qual a marca se tornou conhecida no Brasil. A idéia foi nacionalizar a Nova Frontier, modelo que desde novembro do ano passado era importado da Tailândia.
Mas a bandeira verde-amarela da picape aparece em apenas 25% das peças, que incluem bancos, pneus, rodas, chicote, chassi, pára-choque, entre outros componentes. Motor, transmissão, suspensão e sistemas eletrônicos ainda serão trazidos do país asiático. "Sem o conjunto do motor, o índice de peças de um veículo já cai para cerca de 35%. Por isso, com 25%, não quer dizer que estamos produzindo poucas peças da Frontier no Brasil", justificou ao Carsale o diretor de Marketing da Nissan do Brasil, Arison Souza, durante o lançamento da picape ontem (16) na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, Santa Catarina.
Clique nas imagens para ampliá-las
Pouca coisa mudou em relação ao modelo tailandês, por isso a novidade mais interessante para o consumidor brasileiro é a ampliação da gama de produtos. A partir de agora, serão oferecidas 10 versões, com três opções de acabamento (XE, SE e LE), câmbio manual ou automático, tração 4x2 ou 4x4, por preços que devem variar de R$ 85 mil, na versão XE, a R$ 125 mil, para a topo de linha, agora identificada como LE - antes SEL, na versão importada. Os valores definitivos da picape só serão divulgados na primeira semana de outubro, quando o modelo chega às concessionárias. Enquanto isso, confira as primeiras impressões do Carsale em relação à versão LE, equipada com câmbio automático ou manual.
ESTILO Clique nas imagens para ampliá-las
O design continua o mesmo, com traços que caracterizam a robustez da picape e a grade frontal em V, uma identidade visual da marca já conhecida em outros modelos, como os utilitário esportivos Pathfinder e o Novo X-Trail 2009, lançado por aqui em agosto. A versão topo de linha LE, avaliada pelo Carsale, traz de série alguns diferenciais estéticos, como grade frontal, pára-choque traseiro e espelhos retrovisores cromados; faróis de neblina integrados ao pára-choque; estribos laterais; assim como rodas de liga-leve de aro 16 polegadas, item também disponível nas outras versões.
Internamente, a picape traz painéis e portas com bom acabamento, além de ótimo espaço interno, graças ao entreeixos de 3,2 metros, considerado o maior da categoria. O modelo LE sai de fábrica com ar-condicionado, vidros elétricos, piloto automático, além de outros equipamentos de série em todas as versões, como espelhos retrovisores com ajuste elétrico, travas elétricas, regulagem de altura do banco do motorista e direção hidráulica com ajuste de altura do volante – faz falta o regulador de profundidade. O requinte do modelo mais luxuoso é complementado pelo revestimento de bancos e volante em couro, CD player (para seis discos, MP3 e entrada auxiliar) e kit Bluetooth, todos opcionais. A lista de acessórios ainda traz capota marítima, sensor de estacionamento traseiro, santantônio e frisos laterais.
Clique nas imagens para ampliá-las DESEMPENHO
O conjunto motor-transmissão é, segundo a Nissan, a principal arma para bater concorrentes como Toyota Hilux e Mitsubishi L200. Equipada com o mesmo motor 2.5 16V turbodiesel com intercooler, a picape LE é capaz de gerar 172 cavalos de potência a 4.000 rpm e tem torque de 41,1 kgfm a uma rotação de 2.000 giros. Nas versões de entrada e intermediárias (XE e SE, respectivamente), a Nova Frontier desenvolve 144 cv a 4.000 rpm e tem 36,3 kgfm de torque a 2.000 rpm. Além disso, a picape sai de fábrica com manual de seis marchas e automático de cinco, este oferecido apenas no modelo topo de linha LE.
Quando o assunto é desempenho, a picape realmente surpreende. Durante nosso primeiro test-drive na versão equipada com câmbio manual de seis engates, realizado em trechos de asfalto, o veículo deu respostas muito rápidas aos comandos do acelerador e mostrou disposição para retomadas em terceira e quarta marchas. Com a sexta marcha engatada, que tem como principal vantagem a economia de combustível, o motor trabalhou na faixa dos 1.000 rpm a uma velocidade média de 60 km/h. A precisão dos engates, no entanto, deixa a desejar. É muito comum engatar a quarta marcha no início, ao invés da sexta.
Clique nas imagens para ampliá-las
Para a versão equipada com câmbio automático de cinco marchas, utilizamos percursos de terra e areia, pelos quais foi possível testar os comandos de tração 4x2, integral e reduzida, que respondem perfeitamente às necessidades de cada terreno. A quinta marcha (overdrive) da transmissão automática, função que pode ser desativada por um botão ao lado esquerdo do câmbio, mantém o motor trabalhando em giro baixo e, por isso, também é uma opção para reduzir o consumo de combustível, segundo a Nissan.
MERCADO Clique nas imagens para ampliá-las
Hoje, os três primeiros lugares desta fatia de mercado pertencem à Chevrolet S-10, Toyota Hilux e Mitsubishi L200, respectivamente. A picape Ford Ranger segue em quarto e a Nissan Frontier, até então oferecida apenas na versão topo de linha SEL, aparece em quinto, segundo ranking da Fenebrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Será uma briga boa no segmento. A estratégia de não revelar os preços da Nova Frontier nacional, por exemplo, parece estar intimamente ligada à chegada da nova Hilux, que será apresentada em outubro com design reestilizado e opção de motor a gasolina na versão de entrada. Segundo Arison Souza, diretor de Marketing da Nissan, não se trata de suspense, nem de estratégia. "Estamos acertando os preços em função da alta do aço e outros elementos econômicos". Mas, e a Hilux? "Claro que sempre estudamos a concorrência", afirmou o executivo ao Carsale.
Viagem feita a convite da Nissan do Brasil
Clique nas imagens para ampliá-las
As sutis mudanças da picape nacionalizada estão, principalmente, na parte externa. A Nova Frontier produzida aqui traz pára-brisa degradê, tampa da caçamba com chave – uma necessidade dos consumidores brasileiros, afirma a Nissan –, rack de teto com capacidade para 56 quilos de carga e reforços na capota para transporte de peso extra. Por dentro, o encosto do banco tem 5 graus a mais de inclinação (total de 23, em comparação aos 19 do modelo tailandês).
Entre todos os modelos da picape, a maior expectativa de vendas da Nissan do Brasil (60%) está voltada à versão topo de linha LE, enquanto 25% das apostas são feitas para o modelo de entrada (XE) e 15% para o intermediario (SE). No primeiro ano de vendas do novo modelo, a empresa espera passar da média atual de 600 para 1.000 unidades comercializadas, e assim aumentar sua participação no segmento de picapes médias, que hoje é de 8%, para 16%. "Temos plenas condições de ficar entre as três marcas mais vendidas deste mercado", afirmou o gerente de Marketing Produto da Nissan do Brasil, Mário Furtado, durante coletiva de imprensa.
| Ficha técnica | Nova Frontier LE 4x4 (manual) | Nova Frontier LE 4x4 (automática) |
|---|---|---|
| Motor | Dianteiro, 2.5L, 16 válvulas, Turbo Diesel Eletrônico | |
| Cilindrada (cm³) | 2.488 | |
| Potência (cv) | 172 cv @ 4.000 rpm | |
| Torque (kgfm) | 41,1 kgfm @ 2.000 rpm | |
| Câmbio | Mecânico, de seis marchas | Automático, de cinco marchas com Overdrive |
| Comprimento (m) | 5,23 | |
| Largura (m) | 1,85 | |
| Altura (m) | 1,78 | |
| Entre-eixo (m) | 3,2 | |
| Capacidade carga (kg) | 1.005 | |
| Peso (kg) | 3.015 | 3.030 |
| Suspensão | Com feixes de mola na traseira | |
| Freios | Discos ventilados, na dianteira, tambor auto ajustável com válvula sensível à carga ( LSV), na traseira | |
| Tanque (l) | 80 | |
| Preço (R$) | Não divulgado | |
Copyright Classificados Porto Seguro - Todos os direitos reservados