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Avaliação

Grand C4 Picasso X Grand Scénic - 25/07/2008

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Para quem gosta de viajar ao estilo francês

Texto e fotos: Marcelo Goto - Carsale

Foto 1

Os protagonistas deste comparativo são espaçosos, confortáveis e trazem a palavra Grand no nome. Isso sem falar do visual moderno e da grande quantidade de mimos tecnológicos à disposição de quem está ao volante ou o acompanha. Estamos falando dos franceses Grand C4 Picasso, da Citroën, e do Grand Scénic, da Renault. Ambos podem levar até sete ocupantes e chegam para disputar mercado com a veterana e brasileira Chevrolet Zafira, que reinou por um bom tempo como a única minivan com essa capacidade e preço abaixo dos R$ 100 mil. Bem, isso até a chegada da Carens, da Kia, no mês passado, custando R$ 80 mil. E por falar em preço, o C4 Picasso parte de R$ 89.800. O Scénic, por sua vez, tem tabela sugerida de R$ 88 mil. A minivan da Renault desembarcou no mercado nacional em fevereiro. Já o compatriota chegou em maio, com pouco mais de um ano de atraso, levando-se em conta que a Citroën do Brasil chegou a anunciar seu lançamento por aqui para o ano passado.

ESTILO

Apesar do atraso, o C4 chama mais a atenção por onde passa. Seja pelo porte avantajado ou pela ampla área envidraçada, ou ainda pelo jeitão de nave espacial. Não que o Scénic não tenha visual moderno e atraente. Mas o desenho da minivan da Citroën lembra o de um carro-conceito e abusa dos cromados, tendência em alta atualmente. Suas linhas remetem a outros modelos da linha C4, como o VTR e o Pallas. Graças, principalmente, aos faróis triangulares e ao grande Chevron, símbolo da marca, no papel de grade frontal; detalhe também herdado pelo Xsara Picasso. Outra característica que impressiona é o imenso pára-brisa que avança sobre o teto. De acordo com o fabricante, a visibilidade frontal é de 70º, o dobro da oferecida por um monovolume convencional.

Grand C4 Picasso

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Na aparência, o Scénic é mais distante do restante da gama Renault, apesar de a dianteira exibir a mesma grade separada em duas partes com o losango da Renault ao centro. Por ser mais baixo que o rival – 1,64 metros ante 1,71 m, do Citroën –, o Renault chega a flertar com a esportividade. Visto de lado, a moldura das janelas remete ao Honda Fit. Porém é atrás que o Scénic sai do lugar comum. O vidro traseiro – que pode ser aberto com a tampa do porta-malas fechada – é vertical e não acompanha a inclinação da porta, assim como no Mégane hatchback vendido na Europa e ainda indisponível por aqui. A traseira do C4 também é vistosa, com destaque para as lanternas verticais que cobrem as colunas D.

Por dentro, as duas minivans chegam a compartilhar algumas boas idéias, como o painel digital, o vão livre entre os assentos dianteiros, o botão do freio de estacionamento no painel – o do C4 é no centro, e o do Scénic fica à esquerda do volante -, e as bandejinhas nos encostos dos bancos da frente. Mas o Citroën sai na frente quando o assunto é mimar os ocupantes. A começar pelo ar-condicionado digital, capaz de oferecer quatro zonas de climatização individuais – duas na frente e mais duas na segunda fileira de bancos. O acionamento é feito por um pequeno conjunto de botões à esquerda do volante.

Grand C4 Picasso

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E por falar nele, assim como o do Pallas, a peça tem miolo fixo e botões que acionam as funções do computador de bordo, do sistema de áudio e do piloto automático. A direção também agrega hastes para a troca de marchas e a própria alavanca de câmbio, posicionada na parte superior. No Grand Scénic, o volante é convencional e possui teclas de controle do limitador de velocidade e do rádio. Já o câmbio fica no console central e, como na linha Mégane, um cartão substitui a chave. O C4 conta ainda com um pequeno compartimento refrigerado logo abaixo do CD/MP3 player. Mas a oferta de porta-trecos não pára por aí. A impressão que se tem é de que as duas minivans travam um duelo para saber qual delas tem mais lugares para guardar objetos. O Citroën traz dois esconderijos sobre o painel, já o Renault aposta no assoalho a frente do banco traseiro, como no Scénic nacional.

E se o charme do C4 é o imenso teto panorâmico, o rival não fica atrás. Na unidade testada, porém, ele é dividido em duas partes, sendo que o da frente pode ser aberto eletricamente. Este recurso, porém, não foi disponibilizado aos consumidores brasileiros, assim como o lavador dos faróis. O porta-malas do Citroën tem capacidade para 576 litros – e traz uma pequena lanterna destacável e recarregável na parede do compartimento – ante 550 l, do Renault. Para ajudar nas manobras de estacionamento, ambos os modelos contam com sensores de aproximação e alertas sonoros. O C4, no entanto, mostra por meio de um gráfico no painel o quanto o veículo está perto do obstáculo. Mas se a dúvida é saber se o carro cabe na vaga. Voilá! O dispositivo também é capaz de calcular o tamanho do espaço e informar se é suficiente para ele estacionar.

Grand C4 Picasso

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Até 48 km/h, o SUV é movido apenas com eletricidade. O que mais chamou a atenção nessa situação foi o funcionamento silencioso do conjunto. A impressão que se tem é de que o carro está na "banguela". Mas, conforme a velocidade aumenta, o sistema passa a operar de maneira conjugada com o propulsor a combustão, que dependendo do caso, pode usar metade dos cilindros - recurso que também ajuda a economizar combustível e reduzir emissões. Tudo é acompanhado em tempo real pelo condutor por meio de uma tela instalada no painel. Uma bateria de 300 volts instalada sob o assento traseiro é responsável por fornecer energia para a transmissão, o ar-condicionado e o sensor de impacto frontal do carro.

O outro "modo" entra em ação quando o jipão está em alta velocidade. Nesse caso, toda a potência oferecida pelo V8 fica à disposição do motorista, principalmente em ultrapassagens, subidas de ladeira ou reboque de carga. Dispositivos eletrônicos, como os sistemas que gerenciam a alimentação do propulsor e a abertura das válvulas de admissão cuidam para conter a sede do SUV. De acordo com a GM, o Grand C4 Picasso é capaz de atingir médias de consumo de 8,9 km/l, na cidade, e 9,4 km/l, na estrada, na configuração com tração integral.

Grand C4 Picasso

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No quesito segurança, as duas minivans não descuidam. Freios com ABS e assistência de frenagem de emergência, controle eletrônico de estabilidade (ESP) e pontos de fixação Isofix para cadeiras infantis são itens de série. O C4 vem com sete airbags – duplos frontal e lateral, tipo cortina e um exclusivo para proteção dos joelhos do motorista – um a mais que o Scénic. Além do teto de vidro, a lista de opcionais do Renault inclui rede de proteção do bagageiro e forração de couro nos bancos. Há ainda um console entre os bancos dianteiros, mas ele é de série.

DESEMPENHO
Os dois franceses usam motor 2.0 litros de quatro cilindros e 16 válvulas e câmbio automático de quatro marchas, com modo seqüencial. No caso do C4, ele rende 143 cavalos de potência a 6.000 rpm, apenas 5 cv a mais que o do concorrente. O torque é quase o mesmo em ambos: 20,4 kgfm (a 4.000 rpm), no Citroën, e 19,1 kgfm (a 3.750 rpm), no segundo. A relação peso/potência também é bem próxima: 10,9 kg/cv, no Picasso, e 11,9 kg/cv, no Scénic. As suspensões de ambas tem configuração voltada para o conforto, mas isso não chega a afetar o desempenho em curvas. Porém, o C4 sofreu com o asfalto castigado de São Paulo. As batidas típicas de final de curso do amortecedor eram constantes. Isso sem falar dos rangidos dentro da cabine. O conjunto do Scenic encarou o asfalto irregular da cidade com mais firmeza. Pesam contra o Renault a posição do pedal do freio, muito próxima do acelerador, detalhe que incomodava constantemente durante a avaliação; e a rigidez excessiva do mecanismo de rebatimento da última fileira de bancos. Aliás, viajar nestes assentos pode ser um martírio mesmo para crianças, pois o espaço é ínfimo.

Gran Scénic 2.0 Dynamique

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Nos testes de desempenho, o C4 levou a melhor sobre o adversário. Ele precisou de 13,2 segundos para acelerar de 0 (zero) a 100 km/h, contra 14,9 s, da minivan Renault. Nos ensaios de retomada, o Picasso continuou em vantagem. Para ir de 40 km/h a 80 km/h e de 60 km/h a 100 km/h foram necessários 8,3 s e 8,7 s, respectivamente, ante 8,8 s e 9,65 s, do Scénic. O Citroën também freia bem. A 60 km/h, ele precisa de 24,2 metros para parar totalmente, quase a mesma distância do rival: 24 m. A 100 km/h, a diferença sobe para quase cinco metros – 52,6 m, do C4, contra 57,5 m. O troco do Renault veio nas medições de consumo. Em regime urbano, o Scénic rendeu 7,9 km/l. No rodoviário, por sua vez, foram 12,5 km/l. Mais beberrão na cidade, o Picasso fez 7,5 km/l, mas compensou na estrada, com média de 13,2 km/l.

Gran Scénic 2.0 Dynamique

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MERCADO
Além de serem boas opções à já veterana Zafira, que já conta com uma nova versão na Europa, duas gerações à frente da nossa, e à recém-chegada Carens, a dupla Grand concorre indiretamente com modelos maiores e mais caros, como o Carnival, para oito ocupantes, também da Kia; e o Grandis, da Mitsubishi. A Carens tem motor 2.0 e custa R$ 80 mil. O coreano maior tem motor V6 3.8 l de 24 válvulas e sai por R$ 145 mil. O japonês, por sua vez, custa a partir de R$ 120 mil e esconde um bloco 2.4 16V sob o capô. Os franceses oferecem três anos de garantia, assim como o Grandis. Já a Kia oferece cinco anos de cobertura total para seus dois modelos. De acordo com a Renault, de fevereiro a julho, foram vendidas 195 unidades da Grand Scénic, menos da metade do volume acumulado nos dois últimos meses pela concorrente. Segunda Citroën, já foram comercializadas 400 exemplares do Picasso.

Gran Scénic 2.0 Dynamique

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Ficha técnica Grand C4 Picasso 2.0 Exclusive Gran Scénic 2.0 Dynamique
Motor Motor dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, gasolina
Cilindrada (cm³) 1.997 1.998
Potência (cv) 143 a 6.000 rpm 138 a 5.500 rpm
Torque (kgfm) 20,4 de 4.000 rpm 19,1 de 3.750 rpm
Câmbio Câmbio automático sequencial
Comprimento (m) 4,59 4,49
Largura (m) 1,83 1,81
Altura (m) 1,95 1,45
Entre-eixo (m) 2,72 2,73
Porta-malas (l) 576 550
Peso (kg) 1.560 1.645
Suspensão Independente, tipo McPherson com braços inferiores triangulares, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora, na dianteira, travessa deformável, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora
Freios À disco ventilado, na frente, e disco sólido, atrás, com ABS, ESP, ASR, AFU e REF
Tanque (l) 60

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