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Avaliação

Porsche Cayenne GTS - 10/07/2008

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Modelo chega para "turbinar" as vendas do jipão

Texto: Marcelo Goto - Carsale
Fotos: Vinicius Nunes/Divulgação Stuttgart Sportcar
Vídeos: Vinícius Zucatelli

Cayenne GTS

No começo muita gente torceu o nariz para ele. Hoje, passados seis anos desde o seu lançamento, o Cayenne conseguiu dobrar críticos e cativar o público. Mas ainda restam alguns puristas que consideram o jipão uma heresia da Porsche, que durante 50 anos construiu sua tradição como fabricante de cupês esportivos. Talvez, como uma tentativa de conquistar esses "entusiastas ortodoxos", a marca de Stuttgart decidiu criar o GTS, um Cayenne com desempenho digno de um modelo esportivo.

Apresentado em outubro do ano passado, durante o Salão do Automóvel de Frankfurt, na Alemanha, o GTS chega ao mercado brasileiro para alavancar as vendas da Porsche no País. Não que elas estejam ruins, pelo contrário. Em 2007, foram emplacadas 322 unidades do Cayenne no Brasil. De janeiro a maio desse ano, as vendas acumulam 144 exemplares. A expectativa do fabricante é de vender, no mínimo, 300 Cayenne até o fim do ano, sendo 15% desse volume da versão GTS.

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A Stuttgart Sportcar, distribuidora oficial da Porsche no País, apresentou o utilitário esportivo de luxo à imprensa especializada em maio, no circuito particular da Fazenda Capuava, situada em Indaiatuba, no interior do Estado de São Paulo. Na gama Cayenne, o GTS está posicionado entre as versões S, versão em que foi inspirado, e Turbo, com 507 cv. Ele usa o mesmo motor V8 4.8 litros do S, mas capaz de despejar 410 cavalos de potência. Esse Cayenne com pegada esportiva pode ser seu por a partir de US$ 219 mil.

ESTILO
Por fora, o GTS exibe algumas características que o diferenciam das outras versões com propulsor aspirado. Entre elas, destacam-se as grandes entradas de ar frontais, semelhantes às do Cayenne Turbo, rodas aro 21 polegadas calçadas com pneus 295/35 R21, e molduras das janelas e das maçanetas pintadas de preto fosco. Na traseira, chamam a atenção as saídas duplas de escapamento nas extremidades do spoiler e o aerofólio sobre o vidro da tampa do porta-malas. Graças à mudanças no conjunto da suspensão, a carroceria do GTS é 24 milímetros mais baixa que as das versões S e V6. Além das cores tradicionais, ele é oferecido em duas tonalidades exclusivas: vermelho GTS (sólida) e Ouro Nórdico (metálica).

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No interior da cabine, o jipão vem com detalhes de alumínio no painel, no console e nas portas. Também não faltam revestimentos de couro no volante e nos bancos, que trazem suportes laterais mais altos para impedir a inclinação do corpo dos ocupantes em curvas. O bagageiro tem capacidade para 540 litros, podendo atingir 1.749 l, com os assentos rebatidos.

DESEMPENHO
Apesar de compartilharem o mesmo motor, o do GTS é 20 cv mais potente que o do S. O ganho é resultado de mudanças sofridas pelo sistema de admissão. Aliado ao menor peso - 2.225 quilos, 130 kg mais leve que o S -, o modelo precisa de apenas 6,5 segundos para acelerar de 0 (zero) a 100 km/h, equipado com câmbio automático Tiptronic S. A opção com transmissão manual de seis marchas também está disponível no País, mas sob encomenda.

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Na pista da Fazenda Capuava, de cerca de dois quilômetros de extensão, cada jornalista teve direito a cinco voltas pelo circuito, sendo as duas primeiras como carona e tendo o ex-piloto de F1, Raul Boesel, campeão mundial de Marcas de 1991, ao volante. Tocado por ele, o jipão mostrou sua faceta mais esportiva. "Apesar de ser um utilitário esportivo, com espaço para levar a família, o GTS tem performance próxima do 911 e do Boxter", explicava tranqüilamente Boesel, enquanto os pneus "mordiam" as zebras em alta velocidade.

A primeira volta foi impressionante! O carro mostrou estabilidade digna dos cupês da marca apesar dos quase 2 metros de altura. Essa estabilidade é garantida por vários dispositivos eletrônicos também presentes nas outras versões do Cayenne. A suspensão ativa PASM (Porsche Active Suspension Management, ou gerenciamento de suspensão ativa) vem de série e permite três configurações diferentes dos amortecedores: "konfort", "normal" e "sport". Esse sistema pode ser acionado com o veículo em movimento, em situações de aceleração e freadas fortes. O PASM conta com dois aliados, a suspensão pneumática, oferecida como opcional, e o PDCC (Porsche Dynamic Chassis Control, ou controle dinâmico do chassis), que agrega barras estabilizadoras ativas e impede a inclinação da carroceria.

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Ao fim das duas voltas vertiginosas, chegou a vez de eu assumir humildemente a direção. Enquanto buscava o ajuste ideal do banco e do volante, dava para ouvir os estalos do sistema de freios, superaquecido pelo atrito entre as pastilhas e a superfície dos discos. Ao pisar no pedal do acelerador com entusiasmo, a esportividade do GTS fica evidente, por conta do ruído mais encorpado das saídas de escape. O torque máximo de 50,9 kgfm aparece assim que o contagiros atinge a marca de 3.500 rpm. Andando mais lento que Boesel - obviamente -, sobrou mais tempo para avaliar o comportamento do jipão, trocando as marchas com a ajuda dos botões no volante ou deixando a alavanca na posição Drive.

MERCADO
Além do GTS, o Cayenne é comercializado no Brasil nas opções V6, com motor 3.2l, e Turbo. Seus principais concorrentes por aqui são os "primos" Audi Q7, que acaba de ser disponibilizado no País com motor V6, e Volkswagen Touareg. Fecham a lista os também alemães, Mercedes-Benz ML, que passa a contar com uma versão equipada com motor 3.0 V6 , a diesel, e o BMW X5. Resta saber se a esportividade entregue pelo GTS é o suficiente para convencer os puristas da Porsche que o Cayenne veio para ficar.

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Ficha técnica Porsche Cayenne GTS
Motor Dianteiro, longitudinal, oito cilindros em "V", 32 V, com injeção direta de combustível e duplo comando de válvulas por cabeçote, a gasolina
Cilindrada (cm³) 4.806
Potência (cv) 405 a 6.500 rpm
Torque (kgfm) 50,9 de 3.500 rpm
Câmbio Automático Tiptronic, de seis marchas, com trocas seqüênciais
Comprimento (m) 4,79
Largura (m) 1,95
Altura (m) 1,67
Entre-eixo (m) 2,85
Porta-malas (l) 540
Peso (kg) 2.225
Suspensão Independente, braços transversais superpostos articulados em subchassi, amortecedores com eixos deslocados, molas helicoidais, na dianteira; independente, multibraço com subchassi, amortecedores e molas helicoidais, PASM, na traseira
Freios À disco ventilado nas quatro rodas, com ABS, assistência a vácuo
Tanque (l) 100
Preço US$ 219 mil

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