Texto: Marcelo Goto - Carsale
Fotos: Divulgação - Lafstudio
Os meses que antecedem um grande lançamento da indústria automobilística são cercados de muita expectativa. Tanto por parte da imprensa, quanto dos consumidores. Com o Volkswagen Gol não foi diferente. Ainda mais por se tratar de um carro tão emblemático para o mercado nacional. Não faltaram projeções, especulações, fotos 'vazadas', além das já tradicionais disputas de bastidores da mídia especializada... Enfim, até quem não é fanático por carros acompanhou o assunto, nem que fosse apenas para ter o que falar em uma simples conversa de botequim.
E a espera chegou ao fim neste domingo (29), na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com direito à presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e show da cantora Ivete Sangalo, para um público de cerca de 10 mil pessoas. Mas os jornalistas só puderam ver o novo Gol de perto e guia-lo no dia seguinte. O test-drive incluiu algumas ruas 'travadas' de São Paulo e um trecho de aproximadamente 130 quilômetros de rodovias que separam a capital paulista da cidade de Taubaté, no interior do Estado.
Realmente, o novo Gol impressiona e tem tudo para incomodar a concorrência. Não se via tantas novidades desde que o lançamento da segunda geração, em 1994, quando o modelo ganhou nova carroceria e o singelo apelido de "bolinha". Alguns colegas que tiveram acesso ao carro semanas atrás já o haviam elogiado bastante. Além do visual renovado, o hatch líder de vendas traz novos motores VHT (Volkswagen High Torque), 1.0 litro e 1.6 l (EA111), agora na posição transversal; câmbio e plataforma, ambos herdados do Polo. De acordo com o fabricante, a quinta geração do Gol começou a ser desenvolvida em 2005, mesmo ano em que começou a ser vendido o G4.
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Para acomodar a linha de produção do novo Gol, a fábrica de São Bernardo recebeu novos equipamentos, entre eles, um batalhão de 500 robôs. Ainda de acordo com a VW, o desenvolvimento do veículo consumiu R$ 1,2 bilhão em pesquisas e 2 milhões de quilômetros rodados em testes de durabilidade, inclusive em locais onde a temperatura ultrapassa 50ºC e 28ºC negativos.
ESTILO
O resultado é um carro com traços dinâmicos e esportivos. Na frente, a grade com moldura em "v" deu lugar a outra mais larga e atravessada por uma barra horizontal. O capô agora tem superfície lisa e vincos nas extremidades. A entrada de ar do pára-choques, por sua vez, exibe um friso cromado e formato que remete à da geração anterior. Outro destaque da dianteira são os faróis de duplo refletor - na versão 1.0, eles são de simples parábola -, semelhantes aos do Polo. Visto de lado, correm em paralelo as linhas ascendentes de cintura, do friso e das bordas da tampa do capô e das janelas. Atrás, as atrações principais são as lanternas quadradas e salientes, e o defletor de ar sobre o vidro traseiro.
O interior também não fica devendo em nada ao lado de fora. O único item remanescente da geração anterior são as saídas de ventilação circulares. O resto é tudo novo. E uma das modificações mais bem-vindas ocorreu no quadro de instrumentos: o mostrador estilo "tudo em um" do Fox deu lugar a dois visores arredondados, com aros metálicos, e mais alinhados aos do Polo e Golf - no 1.0, os medidores de combustível e de temperatura ocupam o espaço do contagiros. Os botões de acionamento dos vidros dianteiros ficam nos puxadores das portas e não mais naqueles 'apêndices' com jeitão de improviso. Já a versão básica traz o boa e velha manivela, detalhe que destoa com o visual moderno do carro.
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Apesar de ter perdido 32 milímetros no comprimento (3,89 metros), em comparação ao G4, o novo Gol ganhou espaço interno. Graças à plataforma herdada do Fox, o carro ficou 37 mm mais alto e 5 mm mais largo. A nova posição do motor também contribuiu para o espaço de quem vai atrás: 44 mm. Os joelhos agradecem. A capacidade volumétrica do porta-malas permanece em 285 litros.
O cardápio de itens opcionais é bem variado e está disponível para todas as versões do modelo. Entre os equipamentos destacam-se ar-condicionado, freios com ABS, rodas de liga leve de 15 polegadas, airbag duplo, trio elétrico e volante multifuncional (o mesmo do Fox), com teclas de comando do sistema de áudio. A lista pode incluir ainda dispositivo Bluetooth, para telefonia móvel, e o I-System, um computador de bordo capaz de configurar algumas funções do veículo, como alertas de manutenção e de velocidade, hodômetro, informações de consumo de combustível, entre outros. O carro também pode ser personalizado ao gosto do freguês, com rack de teto, bancos de couro, sensor de estacionamento, apliques estéticos, navegador GPS e rodas com desenho exclusivo.
DESEMPENHO
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Hora de girar a chave e ouvir o que o VHT tem a dizer. E o som é agradável até porque a VW realizou um bom trabalho de isolamento acústico na cabine. A alavanca de câmbio também melhorou bastante. Outra herança do Fox, o conjunto MQ200, oferece engates precisos e suaves. O acionamento das marchas continua sendo por cabos, mas as relações foram reconfiguradas e o ponto de acoplamento da embreagem foi rebaixado em 20 mm. Outro destaque do novo hatch é o acelerador eletrônico. Ao pressionar o pedal, o carro ganha velocidade de forma linear, sem sobressaltos. De acordo com o fabricante, o propulsor 1.0 VHT ganhou novos filtros de ar, coletor de admissão, correia, comando de válvulas, pistões e bielas, além de balancins roletados. "Os acertos do motor tiveram como principais objetivos o aumento do torque e a otimização do consumo de combustível", explica o gerente de Powertrain da VW, João Alvarez Filho.
O coração novo desenvolve 76 cavalos de potência, com álcool, e 72 cv, a gasolina, ambos a 5.250 rpm. Com o propulsor a 3.850 giros, o torque chega a atingir 10,6 kgfm, com álcool, e 9,7 kgfm, com gasolina. A velocidade máxima é de 169 km/h, com o combustível vegetal, e 167 km/h, com o derivado do petróleo. E a aceleração de 0 (zero) a 100 km/h é feita, respectivamente, em 12,9 segundos e 13,4 s. O retorno a São Paulo foi com o Gol 1.6. No percurso rodoviário, o desempenho do bloco EA111 não foi muito diferente do VHT 1.0, mesmo em ultrapassagens, apesar da diferença de potência e de torque. São 104 cv e 101 cv, também a 5.250 rpm; e 15,6 kgfm e 15,4 kgfm, a 2.500 giros. O conjunto de suspensão, por sua vez, veio da plataforma PQ25, a mesma usada pelos recém-lançados Seat Ibiza e Skoda Fabia. Trocando em miúdos, ela oferece mais estabilidade e menor rolagem da carroceria em curvas.
No quesito consumo de combustível, a VW garante que o 1.0 é capaz de médias de 14,1 km/l, com gasolina, e 9,6 km/l, em trajetos urbanos; e 18,6 km/l, e 12,6 km/l, na estrada. Já o EA111, faz 13,1 km/l e 8,8 km/l, na cidade, e 18,5 km/l e 12,4 km/l, em rodovias. A capacidade do tanque foi ampliada de 51 litros para 55 l, garantindo maior autonomia em viagens. Em um teste realizado pela montadora e que contou com a participação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), de São Bernardo do Campo, o Gol percorreu 1.167 quilômetros, partindo de São Paulo, com o reservatório abastecido com gasolina. A média de consumo foi de incríveis 21 km/l, a uma velocidade média de 70 km/h.
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MERCADO
Para tornar o Gol ainda mais atrativo, a VW investiu na redução de custos de seguro e reparos. A VW afirma que o pacote de peças do G5 sofreu uma redução de preços de até 25% em relação ao modelo atual. Como forma de diminuir o valor do seguro, o hatch passa a agregar itens como imobilizador eletrônico do motor com cinco algoritmos de combinação; mecanismo de fechadura encapsulado, que impede o uso de hastes tipo 'micha', e um dispositivo que o faz o miolo da fechadura girar em falso, quando algo, diferente da chave original, é introduzido. O carro vem também com tampa do motor com mecanismo de abertura que dificulta o arrombamento e gravação dos números do motor e chassi em locais de fácil visualização. Com esse pacote anti-furto, o valor de apólice para o novo Gol na seguradora Porto Seguro chega a custar R$ 1,411. As cotações na Mapfre e na Sulamérica atingiram respectivamente R$ 1.498 e R$ 2.037.
*(O test-drive até Taubaté, no interior de São Paulo, foi feito a convite da VW do Brasil)
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Desenho moderno e interior mais espaçoso, antigas reivindicações dos consumidores, foram atendidas pelos engenheiros e projetistas da VW. O processo de criação do hatch teve origem no Departamento de Design e Package da VW do Brasil, também no ABC, passou pelo Centro de Design da VW em Potsdam, na Alemanha, e recebeu retoques do designer Luiz Alberto Veiga, o criador do Fox. Como se não bastasse, o carro ganhou alguns 'pitacos' do italiano Walter de'Silva, o designer chefe do Grupo VW, e que assina o estilo de projetos como do cupê Scirocco e do jipão Q7, da Audi.
O primeiro trecho do test-drive foi feito a bordo da versão 1.0 Trend, ou seja, o Gol com motor mais fraco, mas forrado de opcionais. Antes de ligar o carro, vamos aos ajustes. Um deles, o do volante (do Fox), oferece regulagem limitada quando posicionado para cima. Com a coluna na posição mais baixa, as pernas chegam a encostar o aro. O ajuste o banco do motorista é manual, mas não basta puxar ou empurrar a alavanca que fica ao lado do assento. É preciso mover o corpo para frente ou para trás. Notei também que, apesar do espaço proporcionado pelo motor transversal, a perna direita ainda encosta no console e o pedal da embreagem fica um pouco deslocado para a direita. Já os cintos de segurança contam com regulagem de altura.
O novo Gol já está nas revendas. O motor 1.0 é oferecido em duas versões de acabamento, 1.0 e Trend. No 1.6 são três: 1.6, Trend e Power. As duas primeiras partem de R$ 28.890 e R$ 29.825, respectivamente, enquanto as mais potentes custam a partir de R$ 32.290, R$ 33.235 e R$ 36.420. Para a empresa, os principais concorrentes do modelo 1.0 são o Chevrolet Celta e o Fiat Palio da geração anterior à atual, que ainda é oferecido no mercado. Já o Ford Fiesta e o Renault Sandero são os principais rivais da motorização 1.6. A VW evita o assunto, mas o Fox é alvo do 'fogo amigo' do Gol. Para minimizar o efeito canibal, a marca deve elevar o pacote de itens oferecidos na linha Fox, a partir do ano que vem, e passar a oferecê-lo com o mesmo motor 1.4 que equipa a Kombi.
| Ficha técnica | VW Gol 1.0 VHT Trend | VW Gol 1.6 VHT Power |
|---|---|---|
| Motor | 1.0 litro, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, bicombustível | 1.6 litro, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, bicombustível |
| Cilindrada (cm³) | 999 | 1.598 |
| Potência (cv) | 72 (G) e 76 (A), ambos a 5.250 rpm | 101 (G) e 104 (A), ambos a 5.250 rpm |
| Torque (kgfm) | 9,7 (G) e 10,6 (A), ambos a 3.850 rpm | 15,4 (G) e 15,6 (A), ambos a 2.500 rpm |
| Taxa de compressão | 13,0:1 | 12,1:1 |
| Câmbio | Manual, de cinco marchas | |
| Comprimento (m) | 3,89 | |
| Largura (m) | 1,65 | |
| Altura (m) | 1,45 | 1,46 |
| Entre-eixo (m) | 2,46 | |
| Porta-malas (l) | 285 | |
| Peso (kg) | 934 | 944 |
| Suspensão | Independente, tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora de 19 mm de diâmetro, na dianteira, e interdependente, com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores pressurizados, na traseira | |
| Freios | Freios a disco ventilado, na frente, e a tambor, atrás | |
| Tanque (l) | 55 | |
| Preço (R$) | à partir de 29.825 | à partir de 36.420 |
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