Minha Área:

Aumentar a letra A A A

Classificados Porto Seguro

Avaliação

Novo VW Gol - 02/07/2008

Mais avaliações

O nome você já conhece, já o carro...

Texto: Marcelo Goto - Carsale
Fotos: Divulgação - Lafstudio

Novo Gol

Os meses que antecedem um grande lançamento da indústria automobilística são cercados de muita expectativa. Tanto por parte da imprensa, quanto dos consumidores. Com o Volkswagen Gol não foi diferente. Ainda mais por se tratar de um carro tão emblemático para o mercado nacional. Não faltaram projeções, especulações, fotos 'vazadas', além das já tradicionais disputas de bastidores da mídia especializada... Enfim, até quem não é fanático por carros acompanhou o assunto, nem que fosse apenas para ter o que falar em uma simples conversa de botequim.

E a espera chegou ao fim neste domingo (29), na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com direito à presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e show da cantora Ivete Sangalo, para um público de cerca de 10 mil pessoas. Mas os jornalistas só puderam ver o novo Gol de perto e guia-lo no dia seguinte. O test-drive incluiu algumas ruas 'travadas' de São Paulo e um trecho de aproximadamente 130 quilômetros de rodovias que separam a capital paulista da cidade de Taubaté, no interior do Estado.

Realmente, o novo Gol impressiona e tem tudo para incomodar a concorrência. Não se via tantas novidades desde que o lançamento da segunda geração, em 1994, quando o modelo ganhou nova carroceria e o singelo apelido de "bolinha". Alguns colegas que tiveram acesso ao carro semanas atrás já o haviam elogiado bastante. Além do visual renovado, o hatch líder de vendas traz novos motores VHT (Volkswagen High Torque), 1.0 litro e 1.6 l (EA111), agora na posição transversal; câmbio e plataforma, ambos herdados do Polo. De acordo com o fabricante, a quinta geração do Gol começou a ser desenvolvida em 2005, mesmo ano em que começou a ser vendido o G4.

Clique nas imagens para ampliá-las

Para acomodar a linha de produção do novo Gol, a fábrica de São Bernardo recebeu novos equipamentos, entre eles, um batalhão de 500 robôs. Ainda de acordo com a VW, o desenvolvimento do veículo consumiu R$ 1,2 bilhão em pesquisas e 2 milhões de quilômetros rodados em testes de durabilidade, inclusive em locais onde a temperatura ultrapassa 50ºC e 28ºC negativos.

ESTILO
Desenho moderno e interior mais espaçoso, antigas reivindicações dos consumidores, foram atendidas pelos engenheiros e projetistas da VW. O processo de criação do hatch teve origem no Departamento de Design e Package da VW do Brasil, também no ABC, passou pelo Centro de Design da VW em Potsdam, na Alemanha, e recebeu retoques do designer Luiz Alberto Veiga, o criador do Fox. Como se não bastasse, o carro ganhou alguns 'pitacos' do italiano Walter de'Silva, o designer chefe do Grupo VW, e que assina o estilo de projetos como do cupê Scirocco e do jipão Q7, da Audi.

O resultado é um carro com traços dinâmicos e esportivos. Na frente, a grade com moldura em "v" deu lugar a outra mais larga e atravessada por uma barra horizontal. O capô agora tem superfície lisa e vincos nas extremidades. A entrada de ar do pára-choques, por sua vez, exibe um friso cromado e formato que remete à da geração anterior. Outro destaque da dianteira são os faróis de duplo refletor - na versão 1.0, eles são de simples parábola -, semelhantes aos do Polo. Visto de lado, correm em paralelo as linhas ascendentes de cintura, do friso e das bordas da tampa do capô e das janelas. Atrás, as atrações principais são as lanternas quadradas e salientes, e o defletor de ar sobre o vidro traseiro.

O interior também não fica devendo em nada ao lado de fora. O único item remanescente da geração anterior são as saídas de ventilação circulares. O resto é tudo novo. E uma das modificações mais bem-vindas ocorreu no quadro de instrumentos: o mostrador estilo "tudo em um" do Fox deu lugar a dois visores arredondados, com aros metálicos, e mais alinhados aos do Polo e Golf - no 1.0, os medidores de combustível e de temperatura ocupam o espaço do contagiros. Os botões de acionamento dos vidros dianteiros ficam nos puxadores das portas e não mais naqueles 'apêndices' com jeitão de improviso. Já a versão básica traz o boa e velha manivela, detalhe que destoa com o visual moderno do carro.

Clique nas imagens para ampliá-las

Apesar de ter perdido 32 milímetros no comprimento (3,89 metros), em comparação ao G4, o novo Gol ganhou espaço interno. Graças à plataforma herdada do Fox, o carro ficou 37 mm mais alto e 5 mm mais largo. A nova posição do motor também contribuiu para o espaço de quem vai atrás: 44 mm. Os joelhos agradecem. A capacidade volumétrica do porta-malas permanece em 285 litros.

O cardápio de itens opcionais é bem variado e está disponível para todas as versões do modelo. Entre os equipamentos destacam-se ar-condicionado, freios com ABS, rodas de liga leve de 15 polegadas, airbag duplo, trio elétrico e volante multifuncional (o mesmo do Fox), com teclas de comando do sistema de áudio. A lista pode incluir ainda dispositivo Bluetooth, para telefonia móvel, e o I-System, um computador de bordo capaz de configurar algumas funções do veículo, como alertas de manutenção e de velocidade, hodômetro, informações de consumo de combustível, entre outros. O carro também pode ser personalizado ao gosto do freguês, com rack de teto, bancos de couro, sensor de estacionamento, apliques estéticos, navegador GPS e rodas com desenho exclusivo.

DESEMPENHO
O primeiro trecho do test-drive foi feito a bordo da versão 1.0 Trend, ou seja, o Gol com motor mais fraco, mas forrado de opcionais. Antes de ligar o carro, vamos aos ajustes. Um deles, o do volante (do Fox), oferece regulagem limitada quando posicionado para cima. Com a coluna na posição mais baixa, as pernas chegam a encostar o aro. O ajuste o banco do motorista é manual, mas não basta puxar ou empurrar a alavanca que fica ao lado do assento. É preciso mover o corpo para frente ou para trás. Notei também que, apesar do espaço proporcionado pelo motor transversal, a perna direita ainda encosta no console e o pedal da embreagem fica um pouco deslocado para a direita. Já os cintos de segurança contam com regulagem de altura.

Clique nas imagens para ampliá-las

Hora de girar a chave e ouvir o que o VHT tem a dizer. E o som é agradável até porque a VW realizou um bom trabalho de isolamento acústico na cabine. A alavanca de câmbio também melhorou bastante. Outra herança do Fox, o conjunto MQ200, oferece engates precisos e suaves. O acionamento das marchas continua sendo por cabos, mas as relações foram reconfiguradas e o ponto de acoplamento da embreagem foi rebaixado em 20 mm. Outro destaque do novo hatch é o acelerador eletrônico. Ao pressionar o pedal, o carro ganha velocidade de forma linear, sem sobressaltos. De acordo com o fabricante, o propulsor 1.0 VHT ganhou novos filtros de ar, coletor de admissão, correia, comando de válvulas, pistões e bielas, além de balancins roletados. "Os acertos do motor tiveram como principais objetivos o aumento do torque e a otimização do consumo de combustível", explica o gerente de Powertrain da VW, João Alvarez Filho.

O coração novo desenvolve 76 cavalos de potência, com álcool, e 72 cv, a gasolina, ambos a 5.250 rpm. Com o propulsor a 3.850 giros, o torque chega a atingir 10,6 kgfm, com álcool, e 9,7 kgfm, com gasolina. A velocidade máxima é de 169 km/h, com o combustível vegetal, e 167 km/h, com o derivado do petróleo. E a aceleração de 0 (zero) a 100 km/h é feita, respectivamente, em 12,9 segundos e 13,4 s. O retorno a São Paulo foi com o Gol 1.6. No percurso rodoviário, o desempenho do bloco EA111 não foi muito diferente do VHT 1.0, mesmo em ultrapassagens, apesar da diferença de potência e de torque. São 104 cv e 101 cv, também a 5.250 rpm; e 15,6 kgfm e 15,4 kgfm, a 2.500 giros. O conjunto de suspensão, por sua vez, veio da plataforma PQ25, a mesma usada pelos recém-lançados Seat Ibiza e Skoda Fabia. Trocando em miúdos, ela oferece mais estabilidade e menor rolagem da carroceria em curvas.

No quesito consumo de combustível, a VW garante que o 1.0 é capaz de médias de 14,1 km/l, com gasolina, e 9,6 km/l, em trajetos urbanos; e 18,6 km/l, e 12,6 km/l, na estrada. Já o EA111, faz 13,1 km/l e 8,8 km/l, na cidade, e 18,5 km/l e 12,4 km/l, em rodovias. A capacidade do tanque foi ampliada de 51 litros para 55 l, garantindo maior autonomia em viagens. Em um teste realizado pela montadora e que contou com a participação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), de São Bernardo do Campo, o Gol percorreu 1.167 quilômetros, partindo de São Paulo, com o reservatório abastecido com gasolina. A média de consumo foi de incríveis 21 km/l, a uma velocidade média de 70 km/h.

Clique nas imagens para ampliá-las

MERCADO
O novo Gol já está nas revendas. O motor 1.0 é oferecido em duas versões de acabamento, 1.0 e Trend. No 1.6 são três: 1.6, Trend e Power. As duas primeiras partem de R$ 28.890 e R$ 29.825, respectivamente, enquanto as mais potentes custam a partir de R$ 32.290, R$ 33.235 e R$ 36.420. Para a empresa, os principais concorrentes do modelo 1.0 são o Chevrolet Celta e o Fiat Palio da geração anterior à atual, que ainda é oferecido no mercado. Já o Ford Fiesta e o Renault Sandero são os principais rivais da motorização 1.6. A VW evita o assunto, mas o Fox é alvo do 'fogo amigo' do Gol. Para minimizar o efeito canibal, a marca deve elevar o pacote de itens oferecidos na linha Fox, a partir do ano que vem, e passar a oferecê-lo com o mesmo motor 1.4 que equipa a Kombi.

Para tornar o Gol ainda mais atrativo, a VW investiu na redução de custos de seguro e reparos. A VW afirma que o pacote de peças do G5 sofreu uma redução de preços de até 25% em relação ao modelo atual. Como forma de diminuir o valor do seguro, o hatch passa a agregar itens como imobilizador eletrônico do motor com cinco algoritmos de combinação; mecanismo de fechadura encapsulado, que impede o uso de hastes tipo 'micha', e um dispositivo que o faz o miolo da fechadura girar em falso, quando algo, diferente da chave original, é introduzido. O carro vem também com tampa do motor com mecanismo de abertura que dificulta o arrombamento e gravação dos números do motor e chassi em locais de fácil visualização. Com esse pacote anti-furto, o valor de apólice para o novo Gol na seguradora Porto Seguro chega a custar R$ 1,411. As cotações na Mapfre e na Sulamérica atingiram respectivamente R$ 1.498 e R$ 2.037.

*(O test-drive até Taubaté, no interior de São Paulo, foi feito a convite da VW do Brasil)

Clique nas imagens para ampliá-las

Mais avaliações
Ficha técnica VW Gol 1.0 VHT Trend VW Gol 1.6 VHT Power
Motor 1.0 litro, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, bicombustível 1.6 litro, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, bicombustível
Cilindrada (cm³) 999 1.598
Potência (cv) 72 (G) e 76 (A), ambos a 5.250 rpm 101 (G) e 104 (A), ambos a 5.250 rpm
Torque (kgfm) 9,7 (G) e 10,6 (A), ambos a 3.850 rpm 15,4 (G) e 15,6 (A), ambos a 2.500 rpm
Taxa de compressão 13,0:1 12,1:1
Câmbio Manual, de cinco marchas
Comprimento (m) 3,89
Largura (m) 1,65
Altura (m) 1,45 1,46
Entre-eixo (m) 2,46
Porta-malas (l) 285
Peso (kg) 934 944
Suspensão Independente, tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora de 19 mm de diâmetro, na dianteira, e interdependente, com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores pressurizados, na traseira
Freios Freios a disco ventilado, na frente, e a tambor, atrás
Tanque (l) 55
Preço (R$) à partir de 29.825 à partir de 36.420

Copyright Classificados Porto Seguro - Todos os direitos reservados