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Um brasileiro vestido de europeu - 30/06/2008

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Confira as primeiras impressões dos modelos hatch e sedã da linha Peugeot 207

Texto: Carina Mazarotto - Carsale
Fotos: Malagrine Estúdio

Foto 1

"Quero um carro menos barulhento e mais ágil". Os donos do Peugeot 206 pediram, e eis o 207 nacional, que acaba de ser lançado no Brasil e chega às concessionárias em agosto, nas versões hatchback e perua (SW), com motorização 1.4 e 1.6 flex. Primeiro carro da Peugeot totalmente fabricado no país, o novo 207 é uma evolução do 206, só que com nome europeu. Traz melhorias na troca de marchas, aceleração e sistema acústico, alvos das principais reclamações dos consumidores. A Peugeot investiu cerca de R$ 250 milhões no novo projeto.

A linha 207 "tupiniquim" substitui a gama de modelos 206 nas duas configurações de carroceria, com exceção da versão de entrada do hatch, 1.4 flex Sensation com câmbio manual, que passa a ser o modelo mais acessível da Peugeot no mercado, por R$ 28.690. Na gama hatch, saem de cena as nomenclaturas Allure, Sensation e Presence, e entram as versões correspondentes 1.4 flex XR e XR Sport, com câmbio manual, e 1.6 flex XS, com uma opção de transmissão manual e duas com câmbio automático Tiptronic. O mesmo acontece com a linha SW. No caso da perua, porém, as versões especiais Escapade e Moonlight deixam de ser oferecidas - pelo menos por enquanto, segundo a Peugeot – e a versão 1.6 só estará disponível apenas com câmbio automático.

Por trás da estratégia de criar o 207 nacional utilizando a plataforma do 206, modelo mais vendido da marca no Brasil, a Peugeot também planejou sua entrada no segmento de sedãs compactos. O resultado é o 207 Passion. Exclusivo ao mercado nacional, o modelo, ainda sem preço definido, será lançado apenas em outubro deste ano, mas o Carsale teve a oportunidade de testá-lo durante o lançamento da linha 207 em Búzios (RJ), nos últimos dias 27 e 28. As primeiras impressões do Passion e do 207 hatch 1.6 você encontra aqui.

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ESTILO
Além de xará do 207 produzido na Europa, o 207 nacional também herda seu design, o que dá para notar logo de 'cara', literalmente. Sua frente, em todas as configurações, está mais agressiva, graças aos faróis alongados e ampla grade frontal, característica marcante de outro francês familiar no Brasil, o 307. Mas, acredite, o que o 207 menos tem é sangue europeu. Nascido em berço fluminense, na fábrica do Grupo PSA Peugeot Citroën, em Porto Real (RJ), o sucessor do 206 foi totalmente concebido por brasileiros e ganhou banho de nacionalização das peças, das quais 250 são novas e mil foram modificadas.

As linhas arredondadas dão ao "olho de gato" a imponência de um tigre - o bico do capô, agora destacado pelo recorte horizontal, lembra o felino de nariz grande. A tomada de ar, maior que a do 206, ajuda a complementar o jeitão robusto do modelo, e chega sofisticada nas versões 1.6 hatch, perua e sedã (XS, XS Automático e XS Automático com opcionais), com barras na cor metálica. Os faróis de neblina dianteiros, que só não saem de fábrica na versão 1.4 XR (hatch, perua e sedã), ficam nos cantos laterais, seguindo o 206, ao invés de envolverem as linhas de contorno da grade, como acontece no 207 europeu.

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Por outro lado, se você estiver atrás de um 207 no trânsito, seja hatch ou perua, dificilmente vai perceber, à primeira vista, que ele não é um 206. Afinal, pouca coisa mudou na traseira. Quer uma dica? Repare bem nas lanternas, pois elas ganharam piscas prateados e outras funções coloridas. O pára-choque também recebeu uma nova barra de proteção, na cor preta, que traz as lanternas de neblina nos cantos laterais, e não mais no centro, em todas as versões. "O design traseiro do 206 que sempre foi o forte do modelo, por isso não quisemos abrir mão", justificou a diretora de Marketing e Planejamento da Peugeot do Brasil, Ana Theresa Borsari, durante coletiva de imprensa.

Nas dimensões, o 207 nacional, nas versões hatch e perua, é menor que o xará europeu e levemente maior que o 206. Já o 207 Passion, o três volumes novato no pedaço, tem 4.235 mm de comprimento, 363 mm maior que o hatch. Ele, aliás, é um capítulo à parte. Apesar de ter visual frontal semelhante às demais configurações, o Passion transmite a sensação de requinte, graças a uma combinação harmoniosa de suas linhas. O desenho da traseira agrada, e tem sua própria identidade, fugindo totalmente do aspecto de outros sedãs da marca, como o 307 Sedan.

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Os dois modelos avaliados, hatch e Passion, ambos com motor 1.6 e versão XS, oferecem bom espaço interno para transportar cinco pessoas. O passageiro de trás se acomoda bem, mesmo se for um "grandalhão". O conjunto interno fica mais charmoso com alguns itens de série oferecidos nestas versões, como manopla de câmbio cromada, pedaleiras em alumínio e bancos esportivos.

Por falar em bancos, o motorista precisa tomar cuidado ao ajustar o encosto para frente ou para trás enquanto dirige: o sistema, que não é giratório e sim por uma alavanca na lateral, como no 206, é brusco e pode colocar o corpo do condutor quase abraçado ao volante. Os comandos para acionar os vidros dianteiros continuam entre os dois bancos da frente, ao lado do freio de mão, assim como o controle elétrico dos retrovisores externos, que é item opcional apenas na versão 207 hatch XR 1.4 flex. Não seria melhor na porta? "Os donos do 206 nunca reclamaram, é uma questão de costume", afirmou o presidente da marca, Laurent Tasté.

O painel de instrumentos é inspirado no 207 europeu, com três mostradores arredondados (rotação do motor à esquerda, nível de gasolina e temperatura do motor no centro, e velocidade à direita), de boa visualização. Já o computador de bordo, que vem de série nos dois modelos, está localizado na parte superior do console central, próximo ao pára-brisa - sob a forte luz do sol, no entanto, fica difícil enxergar as informações. Abaixo dele, estão os difusores de ar, como no 206, rádio CD player com leitura de MP3, e ar condicionado digital, outra opção de série oferecida nos modelos equipados com motor 1.6. Na parte externa, ambos contam com a tampa do combustível em alumínio, que forma uma boa combinação.

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Todos os modelos da linha 207 saem de fábrica com direção hidráulica, brake-light, cintos de segurança dianteiros de três pontos com regulagem de altura, desembaçador de vidro temporizado, lanterna traseira de neblina, limpador do pára-brisa com temporizador, limpador de vidro traseiro, saída de energia 12 volts, vidros elétricos dianteiros, além de maçanetas externas e pára-choques pintados na cor da carroceria. A gama de cores inclui doze opções, com destaque para duas novas tonalidades de cinza (Grafito e Dolomites) e azul, sob encomenda.

DESEMPENHO
Segundo a Peugeot, uma das principais mudanças no 207 seria a arrancada mais dinâmica do veículo, proporcionada pelo novo mapeamento eletrônico do acelerador. Dito e feito, pelo menos nas versões testadas pelo Carsale. No primeiro contato com o hatch 1.6, na sexta-feira, já foi possível sentir como o acelerador responde rapidamente, um comportamento que também se justifica pelo motor de 16 válvulas, capaz de gerar até 113 cavalos de potência com álcool e 110 cv a gasolina, a uma rotação de 5.600 giros.

Na estrada, a caminho de Búzios, o hatch se manteve estável a 100 km/h, a 3.000 rpm, durante os raros trajetos sem radar - em trechos urbanos e de estrada, o Rio de Janeiro é rodeado de placas de fiscalização, que, em sua maioria, exigem 50 km/h de velocidade máxima. Por isso mesmo ele precisou mostrar agilidade nas retomadas. E não decepcionou, respondendo muito bem aos "fôlegos" necessários em terceira marcha. O Passion, de propulsor semelhante, que tem torque máximo de 12,85 kgfm a 3.250 rpm, fez o caminho de volta, no sábado, com a mesma disposição.

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Ao dirigir o 207 hatch, o motorista sente o carro "na mão", já que o volante é rígido e proporciona segurança durante as curvas. No caso do Passion, a direção é mais “solta” e pede mais atenção para a traseira não escapar, dentro da normalidade. A suspensão também é rígida nos dois modelos, já que recebeu modificações na calibração e novos amortecedores. Não é à toa que, no banco de trás, a sensação do passageiro é a de que o carro está mais duro.

As trocas de marcha são curtas e macias, mas a melhor notícia aos consumidores do 206 é que o câmbio não 'treme' - não mesmo. A partir de agora, o acionamento do câmbio é feito por cabos, o que garante a neutralização das vibrações transmitidas pelo motor. Para diminuir o ruído interno, a Peugeot também aplicou placas de isolamento acústico nas junções das peças, além de forrações e revestimentos isolantes sobre a separação do compartimento do motor e o habitáculo. Apesar de não incomodar, o som do motor ainda é perceptível, mesmo com o rádio ligado.

No quesito segurança, air bags (frontal e lateral) são opcionais em todas as versões. Já os freios ABS vêm de série nos dois modelos superiores da linha, 207 XS Automático 1.6 e 207 XS Auto com opcionais 1.6, nas três configurações de carroceria, hatch, SW e Passion.

MERCADO
O 207 hatch, que tem versão de entrada por R$ 37.790, de duas portas, equipada com ar-condicionado e direção hidráulica – conforme lista de preços adiantada pelo Carsale - chega ao mercado para disputar espaço com modelos como Fiat Punto e Ford Fiesta. Já o 206 Sensation 1.4 flex, duas portas, com ar e direção opcionais, será o único 'das antigas' que permanece à venda, uma opção mais “acessível” ao consumidor. O modelo também deve atender ao segmento de frotistas, de acordo com o presidente Laurent Tasté.

A partir de R$ 42.990, a perua SW, agora só oferecida na linha 207, brigará principalmente com a perua Palio Weekend. Na versão 1.6, a SW só chega ao mercado apenas com câmbio automático de quatro marchas Tiptronic, por R$ 52.500. Já o sedã Passion promete ser uma opção atraente para disputar mercado com o Chevrolet Prisma e Fiat Siena - desde que a Peugeot não “salgue” o preço.

A marca espera vender, até o final do ano, 30 mil unidades dos modelos novos no Brasil. Se atingir as expectativas, o volume ajudará a Peugeot a ultrapassar a barreira dos 100 mil carros vendidos anuais. Em 2009, quando a produção da nova linha completar um ano, a empresa vislumbra alcançar 130 mil unidades dos modelos 207. "Este desafio nos ajudará a aumentar nossa participação no mercado nacional em 5%, até 2010”, afirmou o presidente.

*(A repórter Carina Mazarotto viajou a convite da Peugeot do Brasil)


Mais avaliações
Ficha técnica 207 HB XS 1.6 Flex (5p) 207 Passion XS 1.6 Flex
Motor Dianteiro, transversal, 1.6 16 válvulas, quatro cilindros, bicombustível (álcool e gasolina)
Cilindrada (cm³) 1.587
Potência (cv) 113 a 5.600 rpm (álcool) e 110 a 5.600 rpm (gasolina)
Torque (kgfm) 15,5 a 4.000 rpm (álcool) e 14,2 a 4.000 rpm (gasolina)
Câmbio Manual, de cinco marchas
Comprimento (m) 3,8 4,2
Largura (m) 1,6
Altura (m) 1,446 1,447
Entre-eixo (m) 2,4
Porta-malas (l) 245 420
Peso (kg) 1.105 1.134
Suspensão Independente, McPherson, com amortecedores hidráulicos integrados e molas helicoidais, na dianteira. Traseira independente com barras de torção transversais, amortecedores hidráulicos semi-horizontais e barra estabilizadora
Freios Discos ventilados na dianteira e tambor na traseira
Tanque (l) 50
Preço (R$) 44.800 Ainda não divulgado

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