Texto: Carsale/Michel Escanhola
Fotos: Divulgação
Dizem que os últimos serão os primeiros. E, pelo jeito, a Ford crê nisso. A marca apresentou na última sexta-feira (14), na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a nova geração do seu carro de entrada, o Ka. O último lançamento de peso de 2008 chega às concessionárias somente em fevereiro, mas já como modelo 2009. O Ka também é o último entre os modelos compactos a entrar na “Era Flex”. Mas agora ele se iguala aos concorrentes na capacidade de passageiros (cinco) e supera os rivais em potência, tanto com motor 1.0 litro quanto com 1.6 l.
A segunda geração do modelo aposenta a atual e vem com um outro propósito: ressuscitar o complexo industrial da Ford no ABC, já que é dali que sairão os veículos para toda a América Latina, incluindo o México. Não foi à toa que a montadora convidou até o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, alguns ministros, o governador de São Paulo, José Serra, e representantes sindicalistas para prestigiar a apresentação do novo carro.
Disponível apenas com carroceria duas portas e com câmbio manual de cinco marchas, o novo Ka tem preço sugerido a partir de R$ 25.190, na versão 1.0, e de R$ 31.800, para a 1.6. E a Ford não se acanha em dizer quais são os concorrentes diretos do modelo. Estão na mira o Palio Fire e o Mille, da Fiat, o Chevrolet Celta e, claro, o Volkswagen Gol — líder de mercado há 20 anos.
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ESTILOO novo Ka foi desenvolvido por brasileiros e passou por várias clínicas realizadas com consumidores daqui. Opiniões colhidas, entra em cena a diretriz global de design Kinetic ("movimento"). E não é que a combinação ficou boa? É como se fosse um carro europeu circulando pelas ruas do País. O capô traz vincos que acompanham as linhas dos faróis. Estas, por sua vez, invadem os pára-lamas e lembram vagamente as do Celta.
Os pára-choques — pintados na cor da carroceria em todas as versões — contam com traços pronunciados. A grade (antes preta e em formato de colméia) passa a ter barras paralelas horizontais e também pintadas na mesma cor do veículo. Nas laterais chamam a atenção as molduras dos pára-lamas. Largos, estes equipamentos dão ao Ka ares de esportividade. Outro item que favorece essa característica é o vidro traseiro. Ele segue as linhas laterais, que vão subindo conforme a traseira se aproxima.
A traseira merece um capítulo à parte. As lanternas são translúcidas e têm iluminação que imita as de LEDs. A tampa do porta-malas e o bagageiro cresceram. Segundo a Ford, o novo Ka traz o conceito “easy access” ("acesso fácil"), no qual o compartimento de carga é mais baixo que o normal. A capacidade é para 263 litros de bagagem (3 l a mais que a do Celta, porém 22 l menor que a do Gol).
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Por dentro tudo é novo também. O painel de instrumentos é simples, tendo somente o necessário: conta-giros, velocímetro e marcador de combustível (que está localizado na parte superior central). O acabamento é bom, não apresenta deficiências. As entradas de ar são semelhantes às utilizadas no EcoSport e os botões no console lembram os da linha Fiesta. Ah! O novo Ka tem, sim, um porta-luvas de verdade, não apenas uma gaveta.
São 3,83 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,42 m de altura e 2,45 m de distância entreeixos. Assim como no Fiesta, a marca adota o esquema de kits de equipamentos. Ao todo são sete opções, em que três também são utilizadas no seu irmão maior. Os pacotes são Fly, Pulse, Class, Somma, Prestige, Neo e Performer (este último disponível somente para a motorização 1.6).
A versão 1.0 mais simples sai de fábrica equipada com rodas de 13 polegadas com calotas, travas elétricas e alarme volumétrico com acionamento por meio de controle remoto, abertura do porta-malas interna (o botão fica no painel) e travamento automático das portas a 15 km/h. Além destes, os modelos 1.6 trazem de série rodas de 14” (mas ainda com calotas) e direção hidráulica. Um recurso interessante que está presente em todas as configurações é o alerta de manutenção programada por tempo e quilometragem, no qual uma luz no painel indica a hora certa de mandar o veículo para a revisão.
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DESEMPENHOMesmo sendo novidades para a linha Ka, os propulsores 1.0 e 1.6 são bem conhecidos pelos consumidores da Ford. Isso porque o motor mais fraco é o mesmo da gama Fiesta e, o segundo, é utilizado no EcoSport, Focus, Courier e (mais uma vez) no Fiesta. De acordo com a marca, o motor 1.0 Flex dá ao Ka abastecido com gasolina 70 cavalos de potência a 6.000 rpm e 9 kgfm de torque a 4.750 giros, e 72 cv e 9,4 kgfm, apenas com álcool. Já a outra opção entrega 102 cv a 5.500 rotações e 15 kgfm a 2.500 rpm (gasolina) e 110 cv e 18 kgfm (álcool).
Além de fazer o Ka passar a beber álcool, a marca tinha um outro desafio: manter a dirigibilidade do veículo. Apesar de não ter sido um grande sucesso de vendas, o carro de entrada da Ford conquistou a fama de ser um veículo gostoso de ser guiado. Sua posição de dirigir, relação de marchas, ronco do motor e conjunto mecânico eram diferentes do restante do mercado. Pode-se dizer que, em partes, a nova geração do compacto manteve essas virtudes.
Em um primeiro contato com o veículo, a versão 1.0 mostrou-se bem próxima do antigo Ka. O câmbio é preciso, as marchas têm escalonamento adequado, mas o ronco do motor...A marca diz que a novidade está mais silenciosa. Se de fato estiver, dificilmente o motorista de primeira viagem notará isso. Para se ter idéia, aos 90 km/h o motor trabalha na casa dos 3.000 giros, rotação que salta para 4.000 aos 100 km/h. Nesta velocidade o barulho do motor incomoda bastante.
Mas a grosso modo, não há motivos para o consumidor que gosta de um Ka deixar de comprar a segunda geração do compacto. Muito pelo contrário. A novidade tem muito mais apelo emocional que seu antecessor. Ele chama a atenção nas ruas e o melhor: leva cinco pessoas — mas não espere espaço à vontade. No banco de trás cabem três passageiros, mas é ombro a ombro na certa, assim como todos os carros deste segmento.
MERCADONa política de que nada se cria, tudo se copia, a Ford vai usar a estratégia que a Renault aplicou ao Logan para divulgar seu produto. Da mesma forma que o sedã ficou exposto no Carrefour, o Ka também irá “às compras”. A marca promete deixar seu carro à mostra em nada menos que 200 pontos, passando pelas redes Extra, Compre Bem, Pão de Açúcar e Assai. Como se não fosse o bastante, o modelo marcará ainda presença em 50 universidades.
Sem divulgar sua expectativa de vendas, o diretor de Marketing da Ford, Antonio Baltar, estima que as versões 1.0, que podem custar até R$ 31.790, deverão representar 80% dos licenciamentos. Já a 1.6, que não tem nenhum adversário direto, mas entra em uma faixa de preço muito concorrida pelo mercado, pode chegar a custar R$ 36.390.
Atualmente, a planta do ABC paulista opera apenas em um turno e tem capacidade para produzir 60 mil unidades do Ka anualmente, o que resulta em 5 mil unidades/mês. Como esse volume é insignificante se comparado a seus concorrentes, a tendência é de que a Ford abra, em breve, um segundo turno em sua fábrica. Baltar nega, mas confessa que a linha de produção de São Bernardo do Campo já poderia trabalhar em três turnos hoje. O executivo garante também que, por enquanto, não está nos planos das marca fazer um Ka cinco portas.
O catálogo de cores é composto pelas sólidas branco Ártico, preto Ebony e vermelho Bari, pelas metálicas prata Geada e azul Iporanga. Mesmo previsto para chegar em fevereiro, os consumidores que quiserem dar uma volta no compacto ou até reservá-lo para compra podem ir a um concessionário da marca a partir do dia 2 de janeiro. “Essa foi a forma que a Ford encontrou para evitar que se formem grandes filas de espera”, conclui Baltar.
Mais avaliações| Ficha técnica | Ka 1.0 Flex | Ka 1.6 Flex |
|---|---|---|
| Motor | 1.0 litro, Rocam, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 8 válvulas, bicombustível | 1.6 litro, Rocam, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 8 válvulas, bicombustível |
| Cilindrada (cm³) | 999 | 1.598 |
| Potência (cv) | 70 (G) e 72 (A) a 6.000 rpm | 70 (G) e 72 (A) a 6.000 rpm |
| Torque (kgfm) | 9 (G) 9,4 (A) 4.750 rpm | 15 (G) e 15,8 (A) a 4.250 rpm |
| Câmbio | Manual, de cinco marchas, ou automático, de quatro | |
| Comprimento (m) | 4,28 | |
| Largura (m) | 1,75 | |
| Altura (m) | 1,46 | |
| Entre-eixo (m) | 2,61 | |
| Peso (kg) | 905 | 942 |
| Suspensão | Independente, tipo McPherson, com braços inferiores, amortecedores pressurizados com batente de suspensão em poliuretano e molas helicoidais, na frente. Semi-independente, com eixo auto-estabilizante, amortecedores pressurizados com batente de suspensão em poliuretano e molas helicoidais, atrás | |
| Freios | Dianteiros a disco sólido e traseiros a tambor | Dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor |
| Tanque (l) | 45 | |
| Preço (R$) | a partir de 25.190 | a partir de 31.800 |
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